Talibã substitui Ministério da Mulher por pasta da ‘virtude’ no Afeganistão

Governo fundamentalista do país asiático proibiu que qualquer pessoa do sexo feminino entrasse nos prédios do órgão, que também servirá para ‘prevenir a depravação’

  • Por Jovem Pan
  • 17/09/2021 11h49
EFE/STRINGERTalibã começou a governar o país no meio de agosto

Pouco mais de um mês após tomar o poder no Afeganistão, o governo do Talibã trocou nesta sexta-feira, 17, as placas do Ministério da Mulher do país e substituiu o nome do órgão por “Ministérios da Reza, Orientação, Promoção da Virtude e Prevenção da Depravação”. De acordo com agências internacionais, além da mudança na “diretriz” dos prédios, os insurgentes também proibiram a entrada de qualquer mulher que trabalhe no local desde a quinta-feira, 16, quando todos os portões do ministério foram trancados. Até o momento, nenhum porta-voz do Talibã se pronunciou sobre o assunto. O país anunciou o novo governo interino no dia 8 de setembro e apontou um clérigo chamado Mohamad Khalid para comandar a nova pasta. No plano administrativo, porém, não há qualquer menção ao ministério da Mulher.

Durante os anos de comando dos insurgentes antes da invasão norte-americana de 2001, o Ministério de Promoção à Virtude e Prevenção à Depravação era o órgão que implementava a “política moral” do grupo no país, proibindo músicas, mediando execuções sumárias e monitorando o tipo de roupa e companhias com as quais as mulheres saiam nas ruas. De acordo com jornais internacionais, porém, o grupo extremista tenta levantar a ideia de que as mesmas opressões realizadas no fim da década de 1990 não devem ser repetidas no novo governo, que tem se guiado em “só utilizar a força se os cidadãos cometerem violações de forma repetida”. A Organização das Nações Unidas foi um dos órgãos que se chamou atenção à violação dos direitos das mulheres no país após a retomada do Talibã.