Terceira dose de vacina da Pfizer protege contra Ômicron, apontam estudos

Análises provam que reforço é eficaz entre os que tomaram as duas primeiras doses da mesma fabricante e entre aqueles que receberam CoronaVac

  • Por Jovem Pan
  • 21/01/2022 13h41
Bienvenido Velasco/EFE Enfermeira (com o rosto desfocado) prepara aplicação de vacina da Pfizer Terceira dose da Pfizer é eficaz contra a Ômicron, prova estudo

A terceira dose da vacina da Pfizer contra a Covid-19 oferece proteção contra a variante Ômicron, tanto nos casos em que as duas primeiras aplicações foram dela ou da CoronaVac. A conclusão é de dois estudos publicados nesta semana na revista “Nature Medicine” que analisaram a resposta de anticorpos à infecção em pessoas vacinadas e pós-vacinadas. O primeiro, conduzido por pesquisadores da Universidade de Hong Kong em 30 pessoas com idade média de 48,9 anos, analisou as diferenças nas respostas de anticorpos à infecção original ou à variante Ômicron. O estudo incluiu pessoas não infectadas um mês após a segunda dose da vacina da Pfizer (31 participantes; idade média de 51,7 anos) ou da CoronaVac (30 participantes; idade média de 52,1 anos), e pessoas que receberam três doses da CoronaVac (30 participantes; idade média de 50,5 anos) ou três doses da Pfizer (25 participantes; idade média de 50,6 anos).

Eles descobriram que duas doses da vacina da Pfizer ou da CoronaVac proporcionavam pouca imunidade de anticorpos neutralizantes contra a infecção por Ômicron, mesmo um mês após a vacinação. Entretanto, quando estas duas doses de qualquer uma das vacinas foram suplementadas com uma dose de reforço da Pfizer, esta nova dose forneceu imunidade aceitável (definida como níveis de anticorpos suficientes para fornecer uma proteção superior a 50% contra o coronavírus) um mês após a administração. Eles também descobriram que três doses da vacina da Pfizer resultaram em níveis médios de anticorpos para Ômicron um terço maiores do que aqueles obtidos com duas doses da CoronaVac mais uma da Pfizer, enquanto três doses da CoronaVac não geraram anticorpos neutralizantes suficientes para Ômicron.

Em um segundo trabalho, Akiko Iwasaki, pesquisador da Universidade de Yale em Connecticut (EUA) analisou a eficácia de um cronograma de vacinação seguido por 101 pessoas (70% delas mulheres com idade média de 40,4 anos) na República Dominicana. Essas pessoas receberam duas doses de CoronaVac e, ao menos quatro semanas depois, uma dose de reforço com a vacina da Pfizer, contra as variantes Delta e Ômicron. Os participantes que receberam a mistura tinham níveis elevados de anticorpos específicos do vírus e fortes respostas de anticorpos neutralizantes contra o vírus original e a variante Delta, em comparação com os níveis antes do reforço com a vacina da Pfizer. Embora a neutralização da ômicron não pudesse ser detectada naqueles que haviam recebido apenas duas doses de CoronaVac, a dose de reforço da Pfizer elevou os níveis de anticorpos contra a Ômicron em 1,4 vez. Entretanto, apesar deste aumento, os níveis de anticorpos neutralizantes para a ômicron foram reduzidos globalmente em 7,1 e 3,6 vezes, em relação aos níveis de anticorpos para o vírus original ou para a variante Delta, respectivamente. O estudo observou que a infecção anterior pelo coronavírus Sars-CoV-2 não elevou significativamente os níveis de anticorpos para ômicron nos participantes que haviam recebido o regime de vacina mista. Os autores concluíram que estas descobertas destacam a capacidade da variante Ômicron de escapar da imunidade induzida pela vacina ou infecção, e ressaltam a importância geral das vacinas de reforço nos esforços para combater as variantes emergentes.

*Com informações da EFE