Terremoto agrava sofrimento de sírios deslocados por causa da guerra civil

Parte do território do país é controlada por rebeldes, que se opõem ao governo e são apoiados pela Rússia e pela Turquia; tremores desabrigaram diversas pessoas que viviam em edifícios já fragilizados por tiroteios e bombardeios

  • Por Jovem Pan
  • 06/02/2023 12h08 - Atualizado em 06/02/2023 13h10
Reuters/Mahmoud Hassano Diversos edifícios já fragilizados por tiroteios e bombardeios foram destruídos com o terremoto desta segunda-feira na Síria Diversos edifícios já fragilizados por tiroteios e bombardeios foram destruídos com o terremoto desta segunda-feira na Síria

O terremoto de magnitude 7,8 que atingiu a Síria antes do amanhecer desta segunda-feira, 6, causou novos danos e sofrimento na região do país controlada por rebeldes – os Capacetes Brancos – já destruída por anos de combates e bombardeios. O território abriga milhões de sírios deslocados de suas casas por causa da guerra civil. De acordo com a Associated Press, no enclave, centrado na província de Idlib, muitos dos deslocados vivem em condições terríveis em campos improvisados. Outros, em áreas vizinhas controladas pelo governo, estão alojados em prédios enfraquecidos por bombardeios anteriores e deixados ainda mais vulneráveis ​​a choques de terremotos. O terremoto causou danos totais e parciais a edifícios em pelo menos 58 aldeias, vilas e cidades no noroeste da Síria, segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, um monitor de guerra com sede na Grã-Bretanha.

“Este desastre vai piorar o sofrimento dos sírios que já lutam com uma grave crise humanitária”, disse Carsten Hansen, diretor para o Oriente Médio do Conselho Norueguês de Refugiados, em comunicado obtido pela Associated Press. “Milhões já foram forçados a fugir pela guerra na região mais ampla e agora muitos mais serão deslocados pelo desastre”, completou. Hospitais e clínicas rapidamente ficaram lotados de feridos após os tremores. A Sociedade Médica Sírio-Americana, que administra hospitais no norte da Síria e no sul da Turquia, disse em comunicado que suas instalações estão “sobrecarregadas com pacientes lotando os corredores” e pediu urgentemente “suprimentos para traumas e uma resposta de emergência abrangente para salvar vidas e tratar os feridos”.

O território da oposição no canto noroeste da Síria resistiu por anos, mesmo depois que as forças do governo sírio retomaram a maioria das áreas controladas pelos rebeldes em todo o país. Os combates ainda acontecem de tempos em tempos com as forças sírias apoiadas pela Rússia nas proximidades. Partes do território são administradas por grupos rebeldes, incluindo uma facção militante ligada à Al Qaeda, enquanto outras partes estão sob uma administração apoiada pela Turquia conhecida como Governo Interino Sírio. O desastre veio logo após fortes tempestades de inverno, aumentando ainda mais a miséria das pessoas que ficaram sem abrigo. “Há chuva e o tempo está muito frio, há neve em algumas áreas”, disse Abdel Hakim al-Masri, ministro da Economia da administração regional apoiada pela Turquia, à Associated Press. Ele observou que alguns dos campos de deslocados na área foram dizimados pelo terremoto. “Há uma quantidade enorme de sofrimento, e isso vai aumentá-lo”, disse ele.

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