Uma criança ou adolescente contrai HIV a cada 100 segundos, diz Unicef

A entidade apontou que a situação deve ter sido ainda pior em 2020, já que a Covid-19 dificultou a luta contra essa outra grande pandemia que ameaça o mundo há quatro décadas, ainda sem vacina

  • Por Jovem Pan
  • 26/11/2020 11h31
Estima-se que 2,8 milhões de crianças e adolescentes em todo o mundo vivem com o HIV

De acordo com um relatório da Unicef apresentado nesta quarta-feira, 25, o vírus do HIV infectou uma criança ou adolescente a cada 100 segundos durante o ano de 2019. No mesmo período, cerca de 110 mil menores de idade morreram por causas relacionadas à Aids. Deste total, cerca de 79.000 tinham até 9 anos de idade, enquanto 34.000 estavam na faixa etária entre 10 e 19 anos. Os dados de mortalidade são um pouco melhores do que os registrados em 2018, mas ainda expressam uma média de mais de 300 óbitos a cada dia. No entanto, as chances de sobrevivência dos bebês que foram contaminados por suas mães ainda durante a gravidez aumentaram e, nas últimas duas décadas, a mortalidade relacionada a este tipo de contágio caiu 53%, devido às melhorias na detecção do vírus e nos tratamentos.

Estima-se que 2,8 milhões de crianças e adolescentes em todo o mundo vivem com o HIV, sendo que apenas pouco mais da metade delas possuem acesso a medicamentos antirretrovirais. A Unicef apontou que, nesse sentido, o acesso a tratamento continuam sendo muito desiguais nas diferentes regiões do planeta. A África Subsaariana, por exemplo, é a zona mais afetada do mundo, com nove a cada dez crianças infectadas em 2019. Os piores dados também foram registrados na América Latina e no Caribe e na África Ocidental e Central. Existe, ainda, uma disparidade por sexo, visto que há mais meninas com Aids do que meninos. “A vulnerabilidade continua a pesar fortemente contra as meninas, responsáveis por três em cada quatro dos novos contágios entre adolescentes”, afirmou o relatório.

Embora ainda não haja dados definitivos, em 2020 já está claro que a pandemia de Covid-19 dificultou ainda mais a luta contra essa outra grande pandemia que ameaça o mundo há quatro décadas, a da Aids. “Ainda não há vacina contra o HIV. O números de crianças doentes é alarmante e elas continuam morrendo de Aids. Isso já acontecia antes de que a covid-19 provocasse a suspensão de tratamentos e de serviços de prevenção vitais relacionados ao HIV, colocando inúmeras vidas em risco”, disse a CEO do Unicef, Henrietta Fore, em um comunicado sobre o estudo.

*Com informações da EFE