União Europeia restringe exportação de vacinas e pressiona AstraZeneca

Até entregar quantidade prometida à Europa, farmacêutica não poderá enviar doses produzidas dentro do bloco a qualquer nação estrangeira que esteja mais avançada na campanha de imunização

  • Por Jovem Pan
  • 26/03/2021 16h16 - Atualizado em 26/03/2021 18h16
EFE/EPA/MADE NAGI/ArchivoA decisão está relacionada com as 29 milhões de doses da 'vacina de Oxford' encontradas em uma fábrica na Itália

Apesar de estar prestes a se tornar líder mundial na produção de vacinas contra a Covid-19, a União Europeia está sofrendo com a falta de doses para imunizar a sua própria população, motivo pelo qual a sua campanha já foi ultrapassada pela do Reino Unido e pela dos Estados Unidos. O atraso está sendo causado principalmente por uma quebra contratual por parte da farmacêutica sueco-britânica AstraZeneca, que por enquanto entregou apenas um terço das “vacinas de Oxford” que havia prometido ao bloco para o primeiro trimestre de 2021. Como uma parte considerável desses imunizantes estão sendo produzidos em 52 fábricas que ficam dentro de países-membro da União Europeia, a comissão criou regras que lhe dão mais liberdade para bloquear a exportação de vacinas a nações estrangeiras que estejam com taxas de inoculação mais altas. “Temos as ferramentas e faremos com que tudo permaneça na Europa até a empresa retomar seus compromissos”, afirmou o comissário do Mercado Interno, Thierry Breton, nesta sexta-feira, 26. Na prática, isso significa que a AstraZeneca não poderá enviar doses produzidas dentro da União Europeia ao Reino Unido, por exemplo.

A decisão está diretamente relacionada com as 29 milhões de doses da “vacina de Oxford” que foram encontradas em uma fábrica na Itália na última quarta-feira, 24. A descoberta gerou indignação entre as autoridades da União Europeia porque, até agora, a AstraZeneca entregou apenas 30 milhões das 90 milhões de doses que haviam sido prometidas para o primeiro trimestre de 2021. Além disso, a farmacêutica já alertou que, no segundo trimestre, fornecerá apenas 70 milhões, ao invés dos 180 milhões previstos inicialmente no contrato de venda. Enquanto isso, o Reino Unido está batendo recorde no número de pessoas vacinadas a cada dia. Em resposta, a AstraZeneca afirmou que, dentre os produtos encontrados na fábrica na Itália, 16 milhões seriam destinadas à União Europeia e 13 milhões ao Covax, programa da Organização Mundial da Saúde (OMS) que distribui vacinas contra Covid-19 aos países mais pobres.

Ainda assim, o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Yves Le Drian, acusou o Reino Unido de estar chantageando a AstraZeneca para ter prioridade no recebimento dos imunizantes. O motivo, segundo ele, seria o fato do governo britânico ter optado por priorizar a vacinação de mais pessoas com apenas uma dose do que imunizar a metade disso com duas doses. “Eles se apressaram em vacinar o maior número possível de pessoas com a primeira dose e agora estão um pouco em desvantagem porque não têm a segunda”, afirmou nesta sexta-feira, 26, à rádio local France Info. O ministro ressaltou, no entanto, que o Reino Unido e a União Europeia devem cooperar no assunto. “Espero que encontremos um acordo. Seria inverossímil ter uma guerra de vacinas entre Reino Unido e Europa”, defendeu.