Variantes indiana, brasileira e chilena do coronavírus infectam pessoas vacinadas em Israel

O Ministério da Saúde informou ainda que cinco crianças foram contaminadas pelas mutações; anúncio gera temores de nova onda de contaminações apesar do sucesso da campanha de imunização

  • Por Jovem Pan
  • 03/05/2021 17h57 - Atualizado em 03/05/2021 18h34
EFE/EPA/ABIR SULTANDesde o último dia 18, o uso de máscara não é mais obrigatório em espaços ao ar livre em Israel

O Ministério da Saúde de Israel informou nesta segunda-feira, 3, que foram identificadas duas infecções pela variante brasileira do novo coronavírus no país: a primeira em um bebê, e a segunda, em um homem adulto. Ambos já tinham sido totalmente vacinados contra a Covid-19. Outro cidadão totalmente imunizado teria contraído a versão chilena. Os três tinham voltado recentemente de viagens para o exterior. Na última quinta-feira, 29, o país já tinha dito que foram identificadas 41 infecções pela variante indiana do novo coronavírus em Israel, sendo cinco em crianças e quatro em pessoas que também já tinham recebido as duas doses da vacina. Vinte e quatro desses indivíduos tinham chegado recentemente do exterior, mas 17 não estiveram fora do país e também não tiveram contato com pessoas que voltaram de viagem. O jornal local Times of Israel aponta que o anúncio causou bastante temor de uma nova onda de casos do país, especialmente entre as crianças, que ainda não podem receber a vacina contra a Covid-19. Por esse motivo, o Ministério da Saúde iniciou testes de sequenciamento genéticos em grande escala nas escolas onde estudam as crianças que contraíram a variante indiana do novo coronavírus. A entidade também reiterou a recomendação de que os israelenses evitem viajar para fora.

Na última quarta-feira, 28, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que a variante indiana se mostrou mais contagiosa e mais resistente a algumas vacinas e tratamentos em estudos laboratoriais. Em seu relatório epidemiológico semanal, a entidade internacional explicou que essa ameaça, batizada de B.1.617, possui mutações associadas ao aumento da transmissão e que tratamentos com anticorpos monoclonais são menos eficientes contra ela. Além disso, algumas análises feitas nos Estados Unidos mostram uma possível redução dos efeitos das vacinas contra essa variante, enquanto estudos preliminares com o imunizante indiano Covaxin indicam que ele simplesmente não é capaz de neutralizá-la. Ainda não há pesquisas relativa a vacina da PfizerBioNTech, que está sendo utilizada em Israel. Porém, diretor-geral do Ministério da Saúde da Israel, Hezi Levy, disse que até o momento acredita-se que esse imunizante possui uma eficácia reduzida contra a mutação da Índia.

Israel vinha comemorando o fato de não ter registrado nenhuma morte por Covid-19 pela primeira vez em dez meses entre os dias 22 e 23 de abril. A última vez que Israel relatou zero vítimas da doença foi no final de junho de 2020, depois que outro lockdown conteve o avanço da primeira onda de infecções. O país é um dos que mais vacinam no mundo e já tem 54,5% da população imunizada. Por essa razão, o governo determinou, no último dia 18, que o uso de máscara não será mais obrigatório em ambientes ao ar livre.