Wuhan vive dia a dia normal um ano após primeiro caso de Covid-19

Com a disseminação do novo coronavírus controlada, a cidade chinesa retornou à normalidade, apesar de alguns moradores ainda questionarem a origem da doença

  • Por Jovem Pan
  • 28/12/2020 16h27
EFE/EPA/ROMAN PILIPEYA Organização Mundial da Saúde (OMS) deve mandar um grupo de especialistas para investigar o início da pandemia de coronavírus

Um ano após o registro dos primeiros casos conhecidos de Covid-19 em Wuhan, epicentro de uma epidemia que acabou se espalhando para todo o mundo, as medidas de prevenção contra o novo coronavírus são apenas uma lembrança na cidade chinesa. Nenhum caso de contágio local foi reportado desde meados de maio e o uso de máscaras foi reduzido desde o confinamento massivo ao qual a cidade foi submetida em janeiro de 2020. Além disso, um estudo divulgado pelo Centro de Controle de Doenças da China apontou que 4,4% da população de Wuhan possui anticorpos para o novo coronavírus. No entanto, seus moradores não se esqueceram do que aconteceu e continuam a questionar a origem da pandemia.

Em entrevista à agência de notícias EFE, uma jovem de Wuhan que preferiu não ser identificada afirmou que muitas pessoas se sentem culpadas pelo fato de sua cidade ter registrado os primeiros casos da Covid-19. “Naquela época, no início de 2020, muitos moradores evitavam o assunto, e muitos ocultavam informação para que não se soubesse quem estava infectado”, acrescentou. Ela também lembrou que o caos reinou nos estágios iniciais do surto e que só em fevereiro as autoridades municipais reconheceram que demoraram muito para revelar as informações disponíveis porque, segundo alegaram, precisavam da aprovação de autoridades superiores para torná-las públicas.

Nesta segunda-feira, 28, a China condenou a jornalista Zhang Zhan a quatro ou cinco anos de prisão por ter veiculado notícias sobre o início da propagação do novo coronavírus na cidade. Na época, a ativista acusou o governo chinês de ocultar a seriedade da situação e divulgou uma série de conteúdos nas redes sociais. Entre as informações divulgadas por ela estaria o fato dos habitantes de Wuhan terem recebido comida apodrecida durante o primeiro confinamento de 11 semanas imposto na cidade e serem obrigados a pagar para fazer os testes de detecção do novo coronavírus.

Seu veredito surge logo antes de um grupo de especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) irem à China para investigar as origens do novo coronavírus. O tópico é politicamente tenso, já que o presidente dos Estados UnidosDonald Trump, assim como outros críticos, defendem que o país asiático deve assumir a responsabilidade pela pandemia que já atingiu mais de 1,7 milhão de vidas. A imprensa chinesa, por sua vez, insiste na narrativa de que o surto inicial poderia estar relacionado à importação de alimentados congelados ou ter surgido anteriormente em outros países.

*Com informações da EFE