Obama pede que empresários dos EUA pressionem por suspensão de embargo a Cuba
Washington, 16 set (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu nesta quarta-feira que os empresários do país pressionem o Congresso para suspender o embargo a Cuba, ao destacar as “significativas oportunidades econômicas” do processo de normalização das relações bilaterais.
Durante um encontro com empresários em Washington, no qual respondeu várias perguntas da audiência, Obama disse também que a iminente visita do papa Francisco a Cuba será “uma oportunidade” para ampliar as “interessantes conversas” que já estão ocorrendo na ilha.
O presidente reiterou que Cuba não vai se transformar “da noite para o dia” devido ao processo de normalização das relações com os EUA, mas destacou que, com o tempo, essa aproximação “inevitavelmente criará espaço para a liberdade individual e a transição política”.
“Não faz sentido que sigamos apegados às velhas formas de fazer negócios com Cuba”, defendeu Obama em relação ao embargo.
Desde o anúncio do processo para a reaproximação das relações com Cuba em dezembro do ano passado, Obama se mostrou a favor do levantamento do embargo imposto à ilha há mais de meio século, algo que só pode ser feito pelo Congresso americano, atualmente de maioria republicana e contrário à medida.
Na semana passada, o presidente renovou por mais um ano a chamada Lei de Comércio com o Inimigo, que mantém o embargo econômico imposto a Cuba, para garantir sua autoridade executiva para relaxar as sanções ao país vizinho no processo de normalização bilateral.
“A renovação dessa lei maximiza a flexibilidade do presidente para administrar o embargo a Cuba e autorizar determinadas transações”, explicou à Agência Efe funcionário do alto escalão do governo americano.
O processo histórico de aproximação iniciado em dezembro levou ao restabelecimento das relações diplomáticas, rompidas desde 1961, com a reabertura em julho das respectivas embaixadas em Washington e Havana.
Em agosto, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, realizou a primeira visita em 70 anos de um chefe da diplomacia americana a Cuba. A Casa Branca também indicou que Obama gostaria de viajar a Havana antes de conclusão de seu mandato, em janeiro de 2017.
Obama e o presidente cubano, Raúl Castro, também mantiveram um encontro histórico no Panamá em abril, durante a Cúpula das Américas.
O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, confirmou hoje a presença de Castro nos eventos da próxima Assembleia Geral da ONU, em Nova York, onde também estará Obama. Apesar de não haver uma reunião bilateral marcada, o chanceler afirmou que “haverá interações” entre os dois líderes. EFE
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