Outro três cubanos abandonam programa Mais Médicos

  • Por Agencia EFE
  • 11/02/2014 20h04

O ministro da Saúde, Arthur Chioro, confirmou nesta terça-feira que outros três médicos cubanos abandonaram o programa Mais Médicos, elevando para cinco o número de supostos desertores procedentes do país caribenho.

Chioro disse a jornalistas que os três médicos em questão, que trabalhavam nos municípios de Rio do Antônio (BA), Belém de São Francisco (PE) e Timbiras (MA), deixaram seus cargos e têm paradeiro desconhecido. Os outros dois cubanos que também haviam abandonado o programa são Ramona Matos Rodríguez e Ortelio Jaime Guerra, que estavam em Pacajá (PA) e Pariquera-Açu (SP), respectivamente.

Por meio desse programa, voltado a melhorar a assistência na rede de saúde pública, o governo federal contratou cerca de 7 mil médicos estrangeiros, dos quais cerca de 70% são procedentes de Cuba.

O salário oferecido aos estrangeiros é de R$ 10 mil por mês, mas o caso dos médicos cubanos tem algumas particularidades e é regido por um convênio assinado no âmbito da Organização Pan-americana da Saúde (OPS).

Segundo o acordo com a OPS, o governo cubano recebe o salário dos médicos e depois lhes paga uma quantia até agora não revelada de forma oficial.

Na semana passada, a cubana Ramona Matos Rodríguez abandonou o programa “Mais Médicos” e apresentou um pedido de asilo às autoridades brasileiras, alegando, entre outras razões, que só recebia US$ 400 (R$ 960) por seu trabalho e que outros US$ 600 (R$ 1.440) eram depositados mensalmente em uma conta em Cuba, enquanto o resto do dinheiro ficaria com o governo de seu país.

À espera de que sua situação se resolva, ela começou a trabalhar hoje com a Associação Médica Brasileira (AMB), uma entidade privada que desde o início se opôs à contratação de médicos estrangeiros para suprir as carências da saúde pública.

O presidente da AMB, Florentino Cardoso, disse que a decisão de oferecer trabalho à cubana foi uma mostra de “solidariedade” com sua situação, já que “um profissional não pode trabalhar no Brasil e ganhar somente US$ 400” por mês.

“Queremos que trabalhe conosco, que revalide seu diploma e que possa exercer a medicina livremente no Brasil”, disse o presidente da AMB, que esclareceu que Ramona exercerá apenas funções administrativas.

Segundo o contrato assinado hoje com a AMB, a médica cubana terá vencimentos mensais próximos de R$ 4 mil, entre salário e outros benefícios.