Pelo quarto mês seguido, inflação sobe e IPCA-15 vai a 0,45% em setembro

Dados divulgados na manhã desta quarta-feira apontam alta de 1,48% nos alimentos e bebidas, e 0,83% dos transportes

  • Por Gabriel Bosa
  • 23/09/2020 09h16 - Atualizado em 23/09/2020 10h11
EFESetor de alimentos e bebidas lideraram alta do IPCA-15 de setembro

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15)  subiu 0,45% em setembro, após ter registrado alta de 0,23% em agosto, divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), na manhã desta quarta-feira, 22. Este é o maior valor ao mês desde setembro de 2012, quando o IPCA-15 fechou em 0,48%. O índice, que é considerado prévia da inflação, acumulou avanço de 2,65% nos últimos 12 meses, abaixo do centro da meta de inflação de 4% para 2020 estipulado pelo Banco Central — que pode variar de 2,5% até 5,5%. O IPCA-15 acumulou alta de 2,28% nos 12 meses imediatamente anteriores e soma elevação de 1,35% desde janeiro deste ano. Em setembro de 2019, o índice encerrou em 0,09%. O IPCA-E, que é o IPCA-15 acumulado no trimestre, foi para 0,98%, acima da taxa de 0,26% registrada em igual período de 2019. Caso os números da prévia se confirmem, setembro será o quarto mês seguido com avanço no IPCA após deflação em abril e maio, no auge da crise causada pelo novo coronavírus.

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, seis tiveram alta entre agosto e setembro. O itens de alimentação e bebidas lideraram o avanço, com alta de 1,48%. Transportes aparecem na sequência, com alta de 0,83%, enquanto artigos para residência saltaram 0,79% em setembro, apesar da desaceleração de 0,88% no mês anterior. No outro extremo, itens de saúde e cuidados pessoais tiveram a maior baixa, de -0,69%. Os demais grupos ficaram entre a queda de 0,27% em vestuário e a alta de 0,34% em habitação. A alta dos alimentos e bebidas foi impactada principalmente pelo consumo do domicílio, que aceleraram de 0,61% em agosto para 1,96% em setembro. As carnes tiveram a maior alta e fecharam o IPCA-15 de setembro com avanço de 3,42%. Já a maior variação veio do tomate, para 22,53%, ante queda de 4,20% no mês anterior. O óleo de soja (20,33%), o arroz (9,96%) e o leite longa vida (5,59%) também subiram. Com isso, os três subitens acumulam no ano altas de 34,94%, 28,05% e 27,33%, respectivamente. A alimentação fora do domicílio passou de queda de 0,30% em agosto para alta de 0,36% em setembro. Já refeição variou 0,09%, frente à queda de 0,52% no mês anterior, o lanche acelerou para 0,89%, na comparação com agosto.

A alta nos transportes foi puxada pelo avanço de 3,19% da gasolina, a terceira alta seguida. O óleo diesel teve alta de 2,93% e o etanol  de 1,98%. Apenas o gás veicular recuou, com -2,58%. As passagens aéreas subiram 6,11%, após quatro meses consecutivos de quedas. Apesar da alta, o subitem acumula no ano queda de 55,18%. Artigos de residência (0,79%) foi mais uma vez influenciado pelas altas nos itens TV, som e informática (2,04%) e eletrodomésticos e  equipamentos (0,66%). Os preços do computador pessoal subiram 17,99% de janeiro a setembro deste ano. O item mobiliário continua a ser o destaque entre as quedas, com recuo de 0,14%, mesma variação de agosto. Outro destaque em setembro vem do grupo saúde e cuidados pessoais, cuja queda de 0,69% deve-se ao item plano de saúde (-2,31%), em função da decisão da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) de suspender reajuste dos contratos de planos de saúde até o fim de 2020.

Os preços para cálculo do IPCA-15 foram coletados entre 14 de agosto e 11 de setembro, e comparados com os vigentes entre 15 de julho a 13 de agosto.O indicador refere-se às famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos e abrange as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e Goiânia. A metodologia utilizada é a mesma do IPCA, a diferença está no período de coleta dos preços e na abrangência geográfica.