Às vésperas da votação do relatório, voto impresso enfrenta resistência na Câmara 

Segundo estimativa feita por um membro da comissão que analisa a proposta, ao menos 17 dos 34 votantes são contra a mudança do sistema de votação do país

  • Por André Siqueira
  • 03/07/2021 20h09
Gustavo Sales/Câmara dos DeputadosOs deputados Paulo Martins e Filipe Barros são, respectivamente, presidente e relator da comissão da PEC do voto impresso

Uma das principais bandeiras do presidente Jair Bolsonaro, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do voto impresso enfrenta resistência na Câmara dos Deputados. Às vésperas da votação do relatório do deputado Filipe Barros (PSL-PR), em sessão marcada para a segunda-feira, 5, partidos fecharam questão contra a mudança do sistema do país e passaram a se movimentar para trocar integrantes da comissão que analisa a proposta, a fim de reverter a maioria favorável ao texto proposto pela deputada Bia Kicis (PSL-DF).

No sábado, 26, presidentes de 11 partidos, incluindo legendas que integram a base do governo Bolsonaro no Congresso, firmaram compromisso contra a adoção do chamado “voto impresso auditável” – os dirigentes afirmam que o sistema eleitoral é confiável. Participaram do encontro Ciro Nogueira, do PP; ACM Neto, do DEM; Valdemar Costa Neto, do PL; Marcos Pereira, do Republicanos; Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, do Solidariedade; Luciano Bivar, do PSL; Roberto Freire, do Cidadania; Baleia Rossi, do MDB; Gilberto Kassab, do PSD; Bruno Araújo, do PSDB; e Luís Tibé, do Avante.

Depois da reunião, as siglas passaram a se movimentar para tentar barrar o avanço da PEC. Na quinta-feira, 1º, MDB, PSD, PL, Patriota e PV trocaram integrantes da comissão. O Solidariedade também indicou o deputado Bosco Saraiva (AM), contrário à mudança do sistema para uma das 38 cadeiras da comissão. Segundo uma estimativa feita por um membro do colegiado, dos 34 votantes, pelo menos 17 são contra ao voto impresso. Entre os partidos de oposição, apenas o PDT, representado pelos deputados Pompeo de Mattos (RS) e Paulo Ramos (RJ), é a favor da alteração.

Em nota, o líder do PSDB na Câmara dos Deputados, Rodrigo de Castro (MG), afirmou que a urna eletrônica é “confiável” e deve ser defendida. “Em relação ao sistema de votação, apuração e contagem de votos, reitero a posição já externada pelo PSDB e por outros 10 partidos de diferentes correntes ideológicas: sou favorável à manutenção do modelo atual, pela urna eletrônica. É evidente que todo sistema deve ser sempre aprimorado, especialmente quando diz respeito a algo muito valoroso para o Brasil, que é a democracia. E hoje temos um sistema de votação confiável, com sua segurança atestada inúmeras vezes e que deve ser defendido”, diz o tucano. Apesar do posicionamento do líder, o deputado Aécio Neves (PSDB-MG), titular da comissão, é a favor da mudança. Candidato à Presidência derrotado em 2014, o parlamentar contestou a vitória de Dilma Rousseff (PT) à época.

A adoção do voto impresso é uma das principais bandeiras de Bolsonaro, que já afirmou, em mais de uma ocasião, que houve fraude nas eleições de 2018. No entanto, ele nunca apresentou provas. No dia 21 de junho deste ano, o corregedor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Felipe Salomão, deu 15 dias para o chefe do Executivo federal apresentar evidências das supostas irregularidades. Nesta sexta-feira, 2, porém, em conversa com apoiadores, na saída do Palácio da Alvorada, o presidente da República disse que não tem que apresentar provas “para ninguém” e que apresenta “se quiser”. “Não tenho que apresentar provas para ninguém. ‘Tem que apresentar provas’. Apresento se eu quiser”, declarou.