Aziz diz que CPI da Covid-19 vai a fundo com a VTCLog: ‘Alguma coisa está errada’

Funcionário que sacou mais de R$ 4 milhões em espécie e recebe salário de aproximadamente R$ 2 mil contratou um dos maiores escritórios de advocacia do país para defendê-lo

  • Por Jovem Pan
  • 31/08/2021 11h47 - Atualizado em 31/08/2021 12h06
Edilson Rodrigues/Agência Senado - 09/06/2021Cúpula da CPI também criticou a decisão do ministro Nunes Marques, que liberou motoboy da VTCLog de depor à comissão

O presidente da CPI da Covid-19, Omar Aziz (PSD-AM), reagiu à decisão do ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), que liberou o motobou da VCTLog, Ivanildo Gonçalves da Silva, de depor à comissão. Também nesta terça-feira, 31, a CEO da empresa, Andréia Lima, disse que não poderia comparecer ao Senado para prestar depoimento em razão de “compromissos inadiáveis” e “agenda prévia” na cidade de São Paulo. “A senhora Andréia Lima se colocou à disposição várias vezes, me procurou no meu gabinete, cheia de explicações para vir aqui. Agora a CPI irá focar no depoimento de todas as pessoas da VTCLog. Nós iremos a fundo com a VTCLog até a CPI concluir [os seus trabalhos]”, disse Aziz.

Omar Aziz esclareceu que o motoboy não está sendo investigado pela CPI da Covid-19. De acordo com o presidente da comissão, os senadores querem esclarecer quais as razões para o saque de quase R$ 5 milhões em espécie na boca de caixas eletrônicos. O parlamentar do PSD também questionou o fato de um funcionário que recebe um salário baixo (aproximadamente R$ 2 mil por mês) ter contratado “um dos maiores escritórios” de advocacia do país – o advogado Alan Diniz Moreira de Ornelas, que representa o motoboy, já defendeu Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, e o miliciano Adriano da Nóbrega, morto na Bahia em fevereiro de 2020.

“Ele é uma testemunha que foi usado para retirar dinheiro para levar a alguém. Esses quase cinco milhões de reais que ele retirou dos bancos, principalmente do Bradesco e da agência da Caixa Econômica Federal no aeroporto internacional de Brasília, ele não retirou para levar para a casa dele. Retirou para levar a alguém. Não é quantia pequena, é muito grande”, disse. “Uma simples testemunha movimentou um dos maiores escritórios para defendê-lo. Alguma está errada. O Ivanildo não tem condições de pagar um escritório que assinou essa petição. É evidente. Se a doutora Andréia realmente quisesse esclarecer, estaria aqui hoje. Ela pegaria um avião em São Paulo às 7h e estaria aqui às 10h da manhã. Agora vamos a fundo, nós temos tempo para investigar a VTCLog”, acrescentou.

O vice-presidente da comissão, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), apresentou novo requerimento de convocação de Ivanildo Gonçalves. O parlamentar quer esclarecer ao ministro Nunes Marques “porque precisamos da presença do officeboy aqui”. O senador também propôs a convocação de outros dirigentes da VTCLog. São eles: Raimundo Nonato Brasil, operação financeiro da empresa; Roberto e Tereza Sá, sócios majoritários; e Flávio Loureiro de Souza. De acordo com o vice do colegiado, a CPI tem informações de que Loureiro “tem muita influência no contrato” da empresa com o Ministério da Saúde.

Andréia foi convocada após Nunes Marques liberar Ivanildo Gonçalves da Silva de depor à comissão – sua oitiva estava marcada para a manhã desta terça-feira, 31. Na decisão monocrática, tomada na noite desta segunda-feira, 30, o magistrado, indicado pelo presidente Jair Bolsonaro à Corte, afirmou que não havia “congruência” entre os fatos determinantes para a abertura da CPI da Covid-19 e aqueles que serviram de fundamento para a convocação do motoboy. Como a Jovem Pan mostrou, o colegiado recorreu e pediu que a liminar “seja imediatamente reconsiderada”. No agravo regimental apresentado pela Advocacia do Senado, os senadores afirmam que receberam a decisão com “perplexidade”. Ainda segundo o recurso, caso o entendimento não seja revisto com máxima urgente, a comissão parlamentar irá recorrer ao plenário do Supremo.