Bolsonaro diz ser favorável a compra da vacina de Oxford por empresas com repasse de parte das doses ao SUS

Segundo o presidente, das 33 milhões de doses adquiridas pelo setor privado, 16,5 milhões devem ser repassadas para o Ministério da Saúde; em nota, a AstraZeneca negou a proposta

  • Por Jovem Pan
  • 26/01/2021 11h52 - Atualizado em 26/01/2021 12h00
WALLACE MARTINS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO - 17/12/2020O presidente Jair Bolsonaro assinou favoravelmente a carta enviada pelo setor privado

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta terça-feira, 26, que o governo federal é a favor da liberação de compras de doses da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford e pela farmacêutica AstraZeneca por parte de empresas privadas brasileiras. “Semana passada nós fomos procurados por um representante de empresários e nós assinamos carta de intenções favorável a isso, para que 33 milhões de doses da Oxford viessem do Reino Unido para o Brasil a custo zero para o governo”, iniciou Bolsonaro. Segundo o presidente e o ministro da Economia, Paulo Guedes, explicaram em participação no evento do banco Credit Suisse, as empresas devem fornecer metade da quantidade das doses adquiridas ao Sistema Único de Saúde (SUS). “Para cada funcionário que você vacinar, você tem que entregar uma dose para o SUS”, disse Guedes.

“Metade dessas doses, 16,5 milhões, entrariam aqui para o SUS e estariam no Programa Nacional de Imunização, seguindo aqueles critérios, e outros 16,5 milhões ficariam com esses empresários para que fossem vacinados, então, os seus empregados, para que a economia não parasse”, justificou o presidente, que ressalta que a importação das vacinas teria “zero custo” para os cofres do governo. “Eu quero deixar bem claro: o governo federal é favorável”, repetiu Bolsonaro sobre a proposta. Em seguida, o presidente afirmou que sua gestão irá auxiliar no que puder para que a proposta possa seguir em frente. “Então, no que puder para essa proposta ir a frente, nós estamos estimulando, porque, 33 milhões de doses de graça aqui no Brasil, ia ajudar, e muito, a economia e aqueles que porventura queiram se vacinar.”

Em nota enviada à Jovem Pan, a AstraZeneca negou a possibilidade de venda de vacina para o setor privado. “Nos últimos 7 meses, trabalhamos incansavelmente para cumprir o nosso compromisso de acesso amplo e equitativo no fornecimento da vacina para o maior número possível de países ao redor do mundo. No momento, todas as doses da vacina estão disponíveis por meio de acordos firmados com governos e organizações multilaterais ao redor do mundo, incluindo da Covax Facility, não sendo possível disponibilizar vacinas para o mercado privado”, disse a empresa. Por meio do acordo firmado com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), mais de 100 milhões de doses do imunizante estarão disponíveis no Brasil para aplicação pelo Ministério da Saúde.