‘Chapa com Alckmin é interessante porque amplia alianças de Lula para além da esquerda’, diz deputado do PT 

Carlos Zarattini reconhece que adversários do ex-presidente devem explorar rivalidade histórica entre PT e PSDB, mas aposta que eleitor compreenderá que cenário eleitoral requer união para vencer ‘um inimigo maior’

  • Por André Siqueira
  • 23/12/2021 18h40 - Atualizado em 23/12/2021 18h41
Cleia Viana/Câmara dos Deputados O deputado Carlos Zarattini em pronunciamento durante audiência na Câmara Negociação com o PSB 'é um processo complexo, mas vamos chegar a um acordo', disse à Jovem Pan

O deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP) é um entusiasta da possível composição da chapa entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-governador Geraldo Alckmin, que deixou o PSDB na última semana após mais de 33 anos filiado ao partido que ajudou a fundar. O parlamentar reconhece que a rivalidade histórica entre petistas e tucanos será explorada por opositores de Lula na campanha do ano que vem, caso a aliança seja selada. Porém, ele aposta que o eleitor saberá compreender que a união é necessária para derrotar o presidente Jair Bolsonaro, a quem classificou como “um inimigo maior”.

“A chapa com Alckmin é muito interessante porque é bom poder ampliar as alianças do presidente Lula para além do campo da esquerda. O Alckmin tem grande prestígio em São Paulo e em outros Estados, o que ajuda a aumentar a intenção de voto na possível candidatura de Lula”, disse Zarattini à Jovem Pan. “Com relação à rivalidade entre PT e PSDB, Alckmin não está mais no PSDB, que foi dominado pelo Doria [João Doria, governador de São Paulo]. Doria tem outro tipo de política, é excludente, atropelou Alckmin e outras personalidades do partido. Essa conjuntura mudou demais. Tivemos divergências no passado, sempre fomos oposição ao Alckmin aqui em São Paulo, já criticamos o seu governo e ele criticou o nosso, mas hoje temos um adversário e um inimigo maior: Jair Bolsonaro”, acrescenta.

O partido mais cotado para receber o ex-governador de São Paulo é o PSB. Para abrigar o ex-tucano e formalizar a aliança com o PT, porém, a legenda de centro-esquerda faz algumas exigências aos petistas. Um dos pontos principais desta negociação envolve a disputa pelo governo paulista. O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) e o ex-governador Márcio França (PSB) se colocam como pré-candidatos ao Palácio dos Bandeirante, mas a cúpula pessebista espera que Haddad abra mão de sua candidatura para apoiar França, que foi vice de Alckmin. Ao menos por ora, a ideia é rechaçada pelos petistas. Zarattini diz que o correligionário “é o melhor candidato para governar São Paulo”, mas afirma que “ainda teremos muitos desdobramentos neste processo de negociação”.

“Estamos em uma discussão para constituir uma federação com o PSB, é um processo que está acontecendo. Abril é a data limite para a definição das candidaturas e as convenções só ocorrerão em junho. É um processo de conversa que não vai terminar do dia para a noite. Estamos falando de definição de uma chapa nacional, de alianças estaduais. É um processo complexo. Vamos chegar a um acordo”, diz. Questionado pela reportagem sobre a probabilidade de Lula e Alckmin estarem juntos em 2022, Zarattini afirmou: “Não sei qual é a porcentagem, mas estou otimista”.