Eleições 2022: O que está em jogo nas negociações para a construção da chapa Lula-Alckmin

Tratativas, que envolvem o PSD, o PSB e o Solidariedade, avançaram nas últimas semanas, mas martelo só deve ser batido em 2022

  • Por André Siqueira
  • 19/12/2021 13h06
Reprodução/Estadão Conteúdo/Secom Governo de São Paulo Políticos de terno discursam em eventos públicos Cúpula do PT quer construir frente ampla com forças do centro político para derrotar Jair Bolsonaro em 2022

Na noite deste domingo, 19, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, agora sem partido, devem se encontrar em um jantar organizado pelo grupo Prerrogativas, que reúne advogados autodenominados progressistas, preparado para cerca de 500 convidados. A reunião ocorrerá após semanas de tratativas nos bastidores que têm o intuito de viabilizar uma chapa entre o petista e o ex-tucano para as eleições de outubro do ano que vem. Quem acompanha de perto as negociações afirma que a definição sobre a aliança ficará para 2022, uma vez que há uma série de acertos que ainda precisam ser feitos, mas há a expectativa de que Alckmin manifeste apoio a Lula neste encontro.

A possibilidade de Alckmin ser o candidato a vice-presidente na chapa de Lula surgiu em meados de novembro. Até então, embora ainda estivesse filiado ao PSDB, era dada como certa a sua ida para o PSD, de Gilberto Kassab, para disputar a corrida pelo governo do Estado de São Paulo contra o atual vice-governador paulista, Rodrigo Garcia, que trocou o DEM pelo tucanato em uma articulação capitaneada pelo governador João Doria (PSDB). Alckmin foi padrinho político de Doria, mas a relação entre os dois se estremeceu nas eleições de 2018, quando o então candidato ao Palácio dos Bandeirantes fez campanha apoiado na dobradinha “BolsoDoria” – Alckmin concorreu contra Jair Bolsonaro e foi derrotado no pleito presidencial. Em meio às negociações para a possível chapa Lula-Alckmin, a cúpula do PSD disparou uma imagem em grupos de WhatsApp, há duas semanas, na qual o ex-governador aparece como pré-candidato ao governo estadual. “Precisamos manter o foco, continuar construindo a ponte entre Geraldo Alckmin e o eleitor para garantir a vitória no primeiro turno”, diz a mensagem assinada pelo grupo Alckmistas por São Paulo.

Na quinta-feira, 16, porém, Alckmin foi questionado sobre a aliança com Lula no Congresso Nacional do Sindicato dos Aposentados, Pensionistas e Idosos, em Mongaguá, no litoral paulista, e disse que deixar o PSDB foi “o primeiro passo”. “Eu dei o primeiro passo, agora, nós vamos ouvir muito, conversar muito, para poder dar um segundo passo”, afirmou. Para ser vice do ex-presidente, uma das alternativas seria se filiar ao PSB. Segundo apurou a Jovem Pan, o principal entusiasta desta costura é o ex-governador Márcio França (PSB), que já foi vice de Alckmin. Para receber o ex-tucano, os pessebistas fazem algumas exigências ao PT, entre elas, que o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad abra mão da candidatura ao governo paulista e brigue por uma vaga no Senado – a hipótese é rechaçada pela cúpula petista.

A eventual desistência de Haddad beneficiaria França diretamente. Segundo pesquisa Datafolha divulgada neste sábado, 18, em um cenário sem Alckmin e o petista, França lidera a corrida com 28% das intenções de voto. Para selar a aliança para 2022, a direção do PSB também espera receber o apoio do Partido dos Trabalhadores em outros quatro Estados. São eles: Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Espírito Santo e Pernambuco. Este quadro já havia sido apresentado a Lula em outubro, quando o ex-presidente se encontrou com dirigentes e parlamentares da legenda, conforme noticiou a Jovem Pan. Caso o acerto entre PSB e PT não ocorra, tem sido aventada a possibilidade de Geraldo Alckmin se filiar ao Solidariedade, presidido nacionalmente pelo deputado federal Paulo Pereira da Silva, conhecido como Paulinho da Força. O parlamentar é um dos articuladores da candidatura de Lula ao Palácio do Planalto.

Como a Jovem Pan mostrou, em um primeiro momento, aliados apostavam que o ex-governador manteria o plano de concorrer ao governo de São Paulo porque teria dificuldades para explicar ao eleitor tucano uma eventual aliança com o PT, com quem o PSDB tradicionalmente polarizou as disputas nas urnas. Mesmo assim, utilizaria a especulação e a exposição como vitrine política. No entanto, pessoas próximas relataram à reportagem que Alckmin “ficou balançado” com a repercussão e passou a estudar a possibilidade. Hoje, dizem, é grande a possibilidade de PT e um quadro histórico do PSDB estarem juntos nas eleições de 2022. Apesar do otimismo, o martelo só deverá ser batido no primeiro trimestre do ano que vem – Lula tem dito que só vai decidir se será candidato entre fevereiro e março. Até lá, petistas, socialistas e “alckmistas” se blindam e mantêm no radar alternativas para um plano B.