Com Weintraub e Tarcísio, eleição para governo de SP evidencia racha entre apoiadores de Bolsonaro
Além do impasse envolvendo os planos do PT e do PSB para o Estado de São Paulo, a disputa pela sucessão do governador João Doria (PSDB) deve evidenciar o racha no campo de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) no maior colégio eleitoral do país. Enquanto o mandatário do país reafirma que escolheu o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, para representá-lo na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes, o ex-ministro da Educação Abraham Weintraub desembarcou no Brasil, no sábado, 15, para cumprir agendas no intuito de fortalecer a sua pré-candidatura ao governo paulista.
Em sua live semanal da quinta-feira, 15, Bolsonaro afirmou que Tarcísio “topou” ser candidato ao governo de São Paulo. “Conversei com o Tarcísio, ele topou aí ser pré-candidato ao governo de São Paulo”, anunciou o presidente. “Ele, ganhando as eleições, vai fazer um trabalho semelhante ao meu, a começar pela escolha do secretariado, que tem que ser tecnicamente escolhido”, acrescentou. O ministro tem sido cortejado pelo PL, mas assessores dizem, no entanto, que o ministro ainda não bateu o martelo sobre o seu futuro político. Weintraub, por sua vez, está no radar do PTB, que tem seu diretório paulista presidido pelo empresário Otávio Fakhoury. Em entrevista à Jovem Pan, Graciela Nienov, que assumiu o comando da legenda após a prisão do ex-deputado federal Roberto Jefferson, confirmou a intenção de ter um candidato próprio ao Palácio dos Bandeirantes, mas ponderou que, para evitar uma disputa direta com outro candidato bolsonarista no Estado, estava disposta a lançar um nome para o Senado.
O deputado estadual Gil Diniz, conhecido como Carteiro Reaça, é um dos entusiastas da candidatura do ministro da Infraestrutura. Ex-assessor do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), Diniz diz preferir “o perfil mais ponderado” de Tarcísio. “Apoio a candidatura do ministro por duas razões. Primeiro, porque ela foi referendada pelo presidente Bolsonaro. Em segundo lugar, por tudo o que o Tarcísio fez no Ministério da Infraestrutura. Acredito que ele tem o perfil mais preparado”, disse o parlamentar em rápida conversa com a Jovem Pan. O deputado estadual minimizou o eventual choque entre bolsonaristas no Estado. “Prefiro ver pelo lado positivo: dessa vez teremos dois candidatos mais alinhados às nossas bandeiras. Não são candidaturas ligadas ao PT, ao PSOL ou ao PSDB”, avalia. “O Abraham precisa viabilizar uma legenda para disputar a eleição. O Tarcísio deve sair candidato pelo PL e o Abraham ainda busca um partido. O PTB já declarou apoio ao presidente Bolsonaro, então acredito que possam vir a apoiar o candidato dele aqui em São Paulo”, finaliza.
[jp-related-posts ids=”1210994,1210321,1210141″]
Além de não contar com o apoio formal do presidente da República, pessoas próximas a Bolsonaro dizem que Weintraub ficará “escanteado” se mantiver o discurso que tem adotado nos últimos dias. Em uma live realizada na noite desta segunda-feira, 17, o ex-ministro da Educação afirmou que os partidos do Centrão, que dão sustentação ao governo federal, são um “grande obstáculo” aos conservadores. “Uma das frentes que a gente está sofrendo grandes ataques, os conservadores, é justamente uma turma do Centrão”, pontuou. “Um grande obstáculo que nós conservadores estamos passando, estamos sendo atacados continuamente, e fomos substituídos por essa turma do Centrão que você citou”, seguiu. No domingo, 16, Weintraub sugeriu que Bolsonaro sabia que o seu filho, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seria alvo da Operação Furna da Onça, que investiga o suposto esquema de rachadinha na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). “Ele [Bolsonaro] junto a gente [ministros do governo] em uma mesa comprida e falou: ‘Ó, eu chamei pelo seguinte: está para aparecer uma acusação, está pegando esse cara aqui’. Apontou para o Flávio. ‘O governo não tem nada a ver com ele. Se ele cometeu alguma coisa errada, ele vai pagar por isso'”, relatou.
Assuntos
continue lendo
Política
PF estuda pedir para federalizar investigações sobre filme Dark Horse
Dessa forma, a corporação comandaria a investigação por inteiro que apura se houve irregularidades no financiamento da cinebiografia de Jair Bolsonaro
- Relator da PEC da escala 6×1 no Senado mantém texto aprovado na Câmara Estadão Conteúdo · há 1 hora
- Vettorazzo diz que preso citou negociação de propina com a PM de SP em 2021 Estadão Conteúdo · há 4 horas
- Flávio revela apoio a candidatura de Eduardo Cunha: ‘Papel importante no país’ Estadão Conteúdo · há 4 horas
- Lula deve focar soberania e feitos do governo na primeira propaganda eleitoral João Vitor Revedilho · há 6 horas