Contestado em fórum no Reino Unido, Barroso afirma ter dito ‘a pura verdade’ sobre voto impresso

Afirmação do ministro de que proposta rejeitada na Câmara dos Deputados previa contagem pública manual revoltou aliados do presidente Bolsonaro

  • Por Jovem Pan
  • 26/06/2022 17h03
Nelson Jr./SCO/STF Luís Roberto Barroso é ministro do Supremo Tribunal Federal O ministro Luís Roberto Barroso reclamou de "déficit de civilidade" após ser confrontado em fórum na Inglaterra

Luís Roberto Barroso, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e ex-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), emitiu uma nota neste domingo, 26, para reafirmar todo seu discurso durante participação no Brazil Forum UK, realizado ontem, em Oxford, no Reino Unido. O magistrado afirmou durante o evento que impediu “o abominável retrocesso que seria a volta ao voto impresso com contagem pública manual, que sempre foi o caminho da fraude”. A afirmação originou um debate entre Barroso e alguns presentes. “Isso é mentira. Ninguém nunca falou em contagem manual”, retrucou uma mulher na plateia. “A senhora pode entrar na internet”, devolveu o membro do STF, que falou em “déficit de civilidade”.

A fala de Barroso provocou a reação de aliados e apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL). “Barroso é interrompido durante discurso em Oxford. Ele falava sobre o ‘abominável retrocesso que seria a volta do voto impresso com contagem pública manual’. Na última proposta de voto impresso, da deputada Bia Kicis, não há a expressão ‘contagem pública manual'”, declarou Mario Frias, ex-secretário especial de Cultura e pré-candidato a uma vaga na Câmara Federal. “Barroso foi fazer fake news fora do Brasil. Provavelmente se esqueceu que lá não se prende pessoas que discordam das suas mentiras”, disse o deputado federal Junio Amaral (PL-MG).

Diante da repercussão do caso, o gabinete de Barroso emitiu uma nota dizendo que “a verdade brilha por si só”. “O texto final apresentado pelo relator da PEC 135/2019, que previa o voto impresso, afirmava expressamente: ‘Altera a Constituição Federal a fim de assegurar o direito do eleitor de verificar a integridade de seu próprio voto por meio da conferência visual de registro impresso, bem como objetivando garantir que a apuração do resultado das eleições se dê por meio de contagem pública e manual dos votos'”, diz trecho do comunicado. “Portanto, o que o ministro Luís Roberto Barroso afirmou corresponde à exata realidade dos fatos, à pura verdade. Como tem afirmado o ministro, o voto impresso, em boa hora rejeitado pela Câmara dos Deputados, poderia trazer de volta o caminho da fraude eleitoral. Essa é a posição do ministro, que respeita as opiniões diferentes.”