CPI da Covid-19 aprova convocação de ex-mulher de Bolsonaro

Ana Cristina Valle é mãe do filho mais novo do presidente da República e aparece em troca de mensagens com o lobista Marconny Albernaz de Faria

  • Por Jovem Pan
  • 15/09/2021 15h33 - Atualizado em 15/09/2021 17h39
Reprodução/Redes SociaisRequerimento do senador Alessandro Vieira foi aprovado nesta quarta-feira, 15

A CPI da Covid-19 aprovou nesta quarta-feira, 15, a convocação de Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro. O requerimento é de autoria do senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), suplente da comissão. Cristina é mãe do filho mais novo do chefe do Executivo federal, Jair Renan, e aparece em troca de mensagens com Marconny Albernaz de Faria, lobista da Precisa Medicamentos que depõe nesta quarta-feira. Faria foi um dos alvos da Operação Hospedeiro, deflagrada pela Controladoria-Geral da União (CGU), pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Polícia Federal (PF), e teve seu aparelho telefônico apreendido.

Aos senadores, Marconny disse que conhece Jair Renan há aproximadamente dois anos e admitiu que realizou uma de suas festas de aniversário, em dezembro do ano passado, no camarote que o filho Zero Quatro do presidente da República possui no Estádio Mané Garrincha, em Brasília. Faria também afirmou que ajudou Renan a abrir uma “empresa de influencer”. “Ele queria criar uma empresa de influencer, e aí eu só apresentei ele para um colega tributarista que poderia auxiliar na abertura dessa empresa”, explicou. A Bolsonaro Jr Eventos e Mídia foi formalizada com o apoio do advogado William Falcomer.

De acordo com o lobista, ele foi apresentado a Ana Cristina por Jair Renan quando os dois vieram morar em Brasília. Ainda segundo as mensagens em posse da CPI da Covid-19, a pedido de Faria, a mãe do Zero Quatro acionou o Palácio do Planalto para influenciar na escolha do Defensor Público da União junto ao então ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Jorge Oliveira, atual integrante do Tribunal de Contas da União (TCU). As mais de 310 mil páginas de diálogos obtidas no celular de Marconny Albernaz foram repassadas pelo MPF do Pará à CPI da Covid-19. Como a Jovem Pan mostrou, o nome de Faria também aparece em mensagens trocadas em junho de 2020 que compõem a “arquitetura da fraude” e envolvem dirigentes da Precisa, o ex-diretor de um órgão ligado à Anvisa José Ricardo Santana e o ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias.