CPI da Covid-19: Depoimento de Ernesto Araújo é adiado para o dia 18 de maio

Segunda semana de trabalhos da comissão será marcada pelas oitivas do presidente da Anvisa, do ex-chefe da Secom e dos executivos da Pfizer no Brasil

  • Por André Siqueira
  • 10/05/2021 14h59 - Atualizado em 10/05/2021 17h46
José Cruz/Agência BrasilO ex-ministro das Relações Exteriores prestará depoimento um dia antes do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello

O ex-ministro das Relações Ernesto Araújo será ouvido pela CPI da Covid-19 no dia 18 de maio. A oitiva estava prevista para a quinta-feira, 13, mas foi adiada para que a comissão possa concentrar esforços, nessa semana, para esclarecer, sobretudo, como foi a negociação do governo do presidente Jair Bolsonaro com a farmacêutica norte-americana Pfizer, que teve uma oferta de 70 milhões de doses de sua vacina contra o novo coronavírus negada em agosto do ano passado. Depois da recusa inicial, o Brasil assinou um contrato que prevê a entrega de 100 milhões de doses, cujo primeiro lote foi entregue em abril deste ano.

Nesta semana, serão ouvidos o presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres, o ex-chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom), Fabio Wajngarten, e os representantes da Pfizer no Brasil – a atual presidente, Marta Diéz, e seu antecessor, Carlos Murillo. Os membros da CPI acreditam que o depoimento de Wajngarten poderá fornecer detalhes que servirão de subsídio para a reunião com os representantes da Pfizer. Em entrevista à revista Veja, o ex-secretário de Comunicação da Presidência afirmou que o acordo com a farmacêutica não foi firmado ainda em 2020 porque houve “incompetência” e “ineficiência” dos gestores do Ministério da Saúde. As informações obtidas nesta segunda semana de trabalho serão utilizadas para questionar o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, cujo depoimento está marcado para o dia 19 de maio – quando a Pfizer ofertou os imunizantes ao governo brasileiro, o general da ativa comandava o Ministério da Saúde.

Além de Ernesto Araújo e Eduardo Pazuello, a terceira semana de trabalhos da CPI da Covid-19 será marcada pelo depoimento da secretária de Gestão do Trabalho do Ministério da Saúde, Mayra Dias, conhecida como “capitã cloroquina”. Segundo admitiu em depoimento ao Ministério Público Federal (MPF), ela foi responsável pelo planejamento de uma comitiva de médicos que difundiu o uso de cloroquina e ivermectina, medicamentos ineficazes para o tratamento da doença, em Manaus, um dia antes de o sistema de saúde da capital do Estado do Amazonas entrar em colapso, no início do ano. Por fim, o calendário da comissão para o mês de maio ainda prevê os depoimentos de Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, Nísia Trindade Lima, presidente da Função Oswaldo Cruz (Fiocruz) e de Fernando de Castro Marques, presidente da União Química, representante da vacina Sputnik V no Brasil. Com isso, a quarta semana de oitivas terá um tema em comum: a produção e distribuição de imunizantes no país.

Confira abaixo o calendário atual da CPI da Covid-19: 

11/05: Antônio Barra Torres – presidente da Anvisa

12/05: Fabio Wajngarten – ex-chefe da Secom

13/05: Marta Diéz e Carlos Murillo – presidente e ex-presidente da Pfizer no Brasil

18/05: Ernesto Araújo – ex-ministro das Relações Exteriores

19/05: Eduardo Pazuello – ex-ministro da Saúde

20/05: Mayra Dias – secretária de Gestão do Trabalho do Ministério da Saúde

25/05: Dimas Covas – diretor do Instituto Butantan

26/05: Nísia Trindade Lima – presidente da Fiocruz

27/05: Fernando de Castro Marques – presidente da União Química