CPI da Covid-19 muda calendário e vai ouvir intermediários e ‘homem forte’ de Pazuello no Ministério da Saúde

Comissão receberá reverendo autorizado a negociar compra de vacinas, militar que testemunhou suposto pedido de propina e empresário que atuou no Ministério da Saúde antes de ser nomeado assessor

  • Por André Siqueira
  • 02/08/2021 12h22
Jefferson Rudy/Agência SenadoNa volta aos trabalhos, senadores querem concluir apuração sobre intermediação na compra de vacinas

Com o adiamento do depoimento de Francisco Maximiano, dono da Precisa Medicamentos, a CPI da Covid-19 estabeleceu um novo cronograma de depoimentos para a volta dos trabalhos. Para esta terça-feira, 3, está mantida a oitiva do reverendo Amilton Gomes de Paula, autorizado pelo governo do presidente Jair Bolsonaro a negociar a compra de 400 milhões de doses da vacina da AstraZeneca com a Davati Medical Supply. Na quarta-feira, 4, data em que Max, como é conhecido o empresário, seria ouvido, a comissão receberá o tenente-coronel da reserva do Exército Marcelo Blanco, ex-assessor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde. Na quinta-feira, 5, será a vez de Airton Soligo, o Cascavel, “homem forte” e auxiliar informal do ex-ministro Eduardo Pazuello na pasta antes de ser nomeado oficialmente para o cargo de assessor especial – inicialmente, estava previsto o depoimento de Túlio Silveira, advogado da Precisa. O calendário foi confirmado à Jovem Pan pela assessoria de imprensa do presidente do colegiado, Omar Aziz (PSD-AM).

Maximiano viajou para a Índia no dia 25 de julho e foi notificado de sua convocação no dia seguinte. Por isso, a cúpula da CPI da Covid-19 adiou seu depoimento e descartou, ao menos por ora, pedir a condução coercitiva do dono da Precisa Medicamentos. A empresa está na mira da comissão em razão da compra de 20 milhões de doses da Covaxin – após denúncias de irregularidades, a Controladoria-Geral da União (CGU) realizou uma auditoria interna, constatou fraude em documentos enviados pela Precisa ao Ministério da Saúde, e decidiu pela rescisão do contrato. Em seu lugar, será ouvido Marcelo Blanco. Ele participou de um jantar, em um restaurante de Brasília, em 25 de fevereiro, no qual, segundo o cabo da Polícia Militar Luiz Paulo Dominguetti, o ex-diretor de Logística Roberto Ferreira Dias pediu propina de US$ 1 por dose de vacina. Três dias antes do encontro, Blanco abriu a Valorem Consultoria em Gestão Empresarial, uma representante comercial de medicamentos e insumos, que também faz consultoria empresarial. Os senadores querem apurar qual era a relação entre o militar e Dias, servidor indicado ao cargo por parlamentares do Centrão.

Airton Cascavel, por sua vez, é próximo ao ex-ministro Eduardo Pazuello e, de acordo com as investigações da CPI da Covid-19, representou o Ministério da Saúde em agendas com prefeitos e secretários estaduais de saúde antes de ser formalmente nomeado para um cargo – ele ocupou o posto de assessor especial de Pazuello entre junho de 2020 e março de 2021, quando foi exonerado. Por fim, ainda nesta semana, os senadores devem votar requerimentos de informações, convocações e quebras de sigilo. Como a Jovem Pan mostrou, entre eles está o pedido de afastamento de Mayra Pinheiro, conhecida como “capitã cloroquina”, secretária de Gestão do Trabalho e Educação do Ministério da Saúde.