CPI da Covid-19 vai pedir bloqueio de recursos de empresa que lucrou com ivermectina

Iniciativa do senador Fabiano Contarato (Rede-ES) foi acatada pela direção da comissão; vendas da Vitamedic saltaram 1.105% em um ano

  • Por Jovem Pan
  • 11/08/2021 14h39 - Atualizado em 11/08/2021 15h17
Foto: Jefferson Rudy/Agência SenadoDiretor-executivo da Vitamedic é ouvido nesta quarta-feira, 11, pela CPI da Covid-19

A CPI da Covid-19 decidiu entrar na Justiça Federal com um pedido cautelar de bloqueio dos recursos da Vitamedic Indústria Farmacêutica para ressarcir os cofres públicos. A empresa aumentou exponencialmente o seu lucro com a venda de ivermectina, medicamento sem eficácia comprovada para o tratamento de pessoas infectadas com o novo coronavírus, durante a pandemia. A Vitamedic também gastou R$ 717 mil com o financiamento de um manifesto em defesa do chamado “tratamento precoce”. Nesta quarta-feira, 11, a comissão ouve o depoimento de Jailton Batista, diretor-executivo da empresa.

O pedido, acatado pela direção do colegiado, foi uma iniciativa do senador Fabiano Contarato (Rede-ES). Aos senadores, Jailton Batista disse que não mantém contratos com o governo federal, mas admitiu que fornece seus produtos, entre eles, a ivermectina, para Estados. “Em que pesem as tentativas do depoente de informar que apenas atendeu a demanda do mercado, essas compras são claras violações ao interesse público e às normas que regem as compras públicas no país. Eu sugiro que seja feito um pedido cautelar à Justiça Federal para que bloqueie recursos suficientes para garantir o ressarcimento aos cofres públicos enquanto durar essa investigação. Eu acho que essa é uma medida cautelar que a CPI deve tomar”, disse Contarato.

Segundo informações enviadas pela Vitamedic à comissão, as vendas de ivermectina saltaram de 24,6 milhões de comprimidos em 2019 para 297,5 milhões em 2020 – um crescimento superior a 1.105%. O preço médio da caixa com 500 comprimidos subiu de R$ 73,87 para R$ 240,90 – um incremento de 226%. Originalmente, a CPI da Covid-19 havia aprovado a convocação de José Alves Filho, proprietário da empresa que já teve os sigilos telefônico, telemático, fiscal e bancário quebrados. No entanto, ele alegou que, como acionista da Vitamedic, só poderia responder sobre “investimentos fabris e novas aquisições”. A oitiva de Jailton, neste sentido, poderia esclarecer sobre “a administração das rotinas diárias” da empresa. Apesar disso, o colegiado teve acesso a um vídeo no qual Alves Filho afirma que tratou com prefeitos o uso do fármaco.