CPI quer saber se Precisa bancou viagens de autoridades brasileiras para a Índia

Senadores também buscam ter acesso ao contrato original firmado pela empresa de Francisco Maximiano com o laboratório indiano Bharat Biotech

  • Por André Siqueira
  • 17/09/2021 09h53
Foto: Jefferson Rudy/Agência SenadoPF cumpre mandados de busca e apreensão em endereços ligados à Precisa nesta sexta-feira, 17

Além de estar atrás do contrato que foi assinado pela Precisa Medicamentos com a Bharat Biotech, os senadores da CPI da Covid-19 querem saber se a empresa de Francisco Maximiano bancou viagens de autoridades brasileiras para a Índia. Os membros da comissão têm registros de deslocamentos feitos por pessoas ligadas a Maximiano à Àsia ao longo das tratativas para a aquisição da vacina Covaxin. Agora, pretendem apurar se integrantes do governo federal foram beneficiados e participaram destas viagens.

No dia 6 de janeiro deste ano, por exemplo, Francisco Maximiano se reuniu com a Embaixada do Brasil em Nova Déli e com membros da Associação Brasileira das Clínicas de Vacinas (ABCVAC), para, entre outras coisas, debater a possibilidade de aquisição de imunizantes para clínicas privadas. De acordo com um telegrama enviado ao Ministério da Saúde, a que a comissão teve acesso, Maximiano teria afirmado que a parceria com o laboratório indiano ajudaria a romper o “oligopólio” de empresas no Brasil.

Por autorização do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal (PF) saiu às ruas, na manhã desta sexta-feira, 17, para cumprir mandados de busca e apreensão em endereços ligados à Precisa Medicamentos, empresa que intermediou o contrato de compra da vacina Covaxin firmado em fevereiro deste ano entre a Bharat e o governo federal – o acordo foi rescindido depois de denúncias de irregularidades. A CPI também pediu que a PF cumprisse buscas na Saúde, mas a medida foi negada pela Procuradoria-Geral da República. “Se deferida a medida em tela, de forma precipitada, informações sensíveis e sigilosas, que não dizem respeito ao objeto da CPI, podem ser indevidamente capturadas, e prejudicar o interesse público da função exercida naquele ministério”, diz um trecho da procuração.

Em nota divulgada à imprensa, os advogados Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso, que defendem a Precisa, afirmam que “a empresa entregou todos os documentos à CPI, além de três representantes da empresa terem prestado depoimento à comissão”. “A CPI, assim, repete o modus operandi da Lava Jato, com ações agressivas e midiáticas, e essa busca e apreensão deixará claro que a Precisa Medicamentos jamais ocultou qualquer documento”, acrescenta a defesa.