Cúpula do Podemos descarta candidatura de Moro ao Senado: ‘Estratégia para dificultar seu crescimento nas pesquisas’

Possibilidade de ex-juiz da Lava Jato disputar uma cadeira no Legislativo tem sido aventada desde sua filiação ao partido; ‘Estou focado na construção de projetos para o Brasil’, escreveu o presidenciável em seu perfil no Twitter

  • Por André Siqueira
  • 03/01/2022 13h02 - Atualizado em 04/01/2022 13h57
Danilo Martins/Divulgação/Podemos Sergio Moro Moro se filiou ao Podemos no início de novembro e se apresenta como pré-candidato à Presidência da República

Terceiro colocado na corrida eleitoral pela Presidência da República, atrás do presidente Jair Bolsonaro (PL) e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo levantamento divulgado pelo Datafolha no início da segunda quinzena de dezembro, o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro rechaça a possibilidade de abrir mão de sua candidatura ao Palácio do Planalto para brigar por uma cadeira no Senado Federal no pleito de outubro deste ano. Lideranças e integrantes do Podemos, partido ao qual o ex-magistrado se filiou, ouvidos pela Jovem Pan afirmam que esta hipótese não é cogitada pela cúpula do partido e que a ideia tem sido aventada para “dificultar o seu crescimento” nas pesquisas.

A possibilidade de Moro se lançar candidato ao Senado já havia sido aventada em outras oportunidades, mas voltou a ser debatida nesta segunda-feira, 3, em razão de uma reportagem publicada pelo UOL. De acordo com o portal, o ex-ministro recorrerá a um plano B caso não decole nas pesquisas até fevereiro deste ano. Pesquisa Datafolha realizada entre os dias 13 e 16 de dezembro mostra o ex-juiz da Operação Lava Jato com 9% das intenções de voto, atrás do presidente Jair Bolsonaro (22%) e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que lidera com 48% – neste cenário, o petista venceria em primeiro turno. Após a publicação da reportagem, Moro se manifestou em seu perfil no Twitter. “Sou pré-candidato à Presidência, não ao Senado”, escreveu. “Estou focado na construção de projetos para o Brasil”, acrescentou. Como a Jovem Pan mostrou, o ex-juiz aparece na segunda colocação na disputa por uma cadeira no Senado por São Paulo, com 19,8% das intenções de voto, segundo levantamento do instituto Paraná Pesquisas. O apresentador José Luiz Datena, da TV Bandeirantes, lidera com 25,7%. No pleito de outubro, o paulista elegerá apenas um senador.

“Isso [abrir mão da candidatura à Presidência para disputar uma cadeira no Senado] não existe. Não cogitamos e não conversamos sobre isso. Isso é uma estratégia malvada da política para tentar desacreditar o adversário e impedir e dificultar o seu crescimento. Na pré-campanha, a evolução é lenta. Exigir um crescimento rápido [nas pesquisas] em janeiro, quando a campanha começa em agosto, é contrariar a história das eleições. Que percentual tinha Collor nessa época do ano? Não tinha 3%. Quanto Bolsonaro tinha em janeiro de 2018? As pessoas trabalham nesta estratégia para impedir o crescimento da candidatura de Moro”, disse à Jovem Pan o líder do Podemos no Senado, Alvaro Dias (PR). “Cada membro do partido pode fazer sua projeção pessoal, mas não há balanço ou avaliação geral [de patamar de votos que deve ser atingido]. Eu acredito que chegar aos 15% até a metade do ano seria bom, mas é opinião”, acrescenta o parlamentar. Alvaro Dias acredita que o ex-juiz será o candidato mais competitivo da chamada terceira via e conseguirá angariar votos “de eleitores de direita e de esquerda que estão insatisfeitos” com a gestão Bolsonaro. “Há, na esquerda, um percentual não expressivo, mas que existe, de eleitores não ideológicos, que estão em contraposição ao Bolsonaro. Esses podem, sim, migrar para Moro. Na direita, há aquele que é anti-PT, mas que também rejeita o atual presidente. Evidentemente, a parcela de votos na esquerda é muito menor, mas é um movimento que pode ocorrer”, finaliza.

Sob a condição de anonimato, um auxiliar de Moro comparou o cenário eleitoral deste ano com o pleito de 2014. “Em 2014, Eduardo Campos [ex-governador de Pernambuco e candidato à Presidência pelo PSB] foi candidato e era apontado como um candidato com chance de vitória, mas aparecia com 13% das intenções de voto na última pesquisa divulgada antes de sua morte”, disse, ao defender que o cenário retratado pelas pesquisas ainda é prematuro. No dia 7 de julho de 2014, Campos aparecia com 9% das intenções de voto, segundo pesquisa divulgada pelo Ibope. Considerando a margem de erro, o pessebista oscilava entre 7% e 11%. O então candidato do PSB morreu no dia 13 de agosto daquele ano, após queda de avião em Santos (SP). “Isso é um absurdo. Notícia plantada para prejudicar”, disse a deputada federal Renata Abreu (SP), presidente nacional do Podemos, em mensagem enviada à reportagem. Em seu perfil no Facebook, a parlamentar também se manifestou: “Ano novo, fake news velha. Parece que bateu o desespero logo no início do ano. Sergio Moro é nosso pré-candidato a presidente e carrega com ele a esperança de um Brasil Justo para todos”.