Eleições 2020: Quem é Celso Russomanno, candidato do Republicanos à Prefeitura de SP

Deputado federal em seu sexto mandato, o parlamentar conta com o apoio do presidente Jair Bolsonaro para espantar a pecha de ‘cavalo paraguaio’ e chegar pela primeira vez ao segundo turno do pleito paulista

  • Por André Siqueira
  • 01/11/2020 08h00
J. F. DIORIO/ESTADÃO CONTEÚDOCR10: sigla idealizada pelo marqueteiro Elsinho Mouco

Jornalista e deputado federal em seu sexto mandato, Celso Russomanno, de 64 anos, é o candidato do Republicanos à Prefeitura de São Paulo. O vice de sua chapa é o ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP) Marcos da Costa, do PTB. Bacharel em Direito pela Faculdade de Guarulhos, o candidato ganhou notoriedade com as reportagens sobre direito do consumidor a partir da década de 1990. Na eleição municipal deste ano, o parlamentar tenta se livrar da pecha de “cavalo paraguaio”: em 2012 e 2016, Russomanno largou como favorito nas pesquisas de intenção de voto, mas foi desidratando e não chegou ao segundo turno. Neste ano, conta com o apoio explícito do presidente Jair Bolsonaro, que pediu votos ao “amigo de longa data” em sua live semanal nas redes sociais, nesta quinta-feira, 29, para se tornar “o zelador da cidade”, como ele mesmo define. “Nas outras duas eleições, fui sozinho, só tinha rivais a nível federal, estadual e municipal. Desta vez, podemos escrever uma história diferente e chegar à Prefeitura de São Paulo. Dentro do meu ser, tenho que administrar São Paulo é ser um zelador, em todos os sentidos: zelando pelos mais mais humildes, preocupado com a zeladoria da cidade”, disse em entrevista à Jovem Pan.

Russomanno iniciou sua trajetória política em 1985, filiado ao antigo Partido da Frente Liberal (PFL) – hoje DEM. Em 1994, então filiado ao PSDB, foi eleito para o primeiro de seus seis mandatos como deputado federal. À época, obteve a maior votação para o cargo, com mais de 223 mil votos. Na legislatura seguinte, foi reeleito, filiado ao Partido do Povo Brasileiro (PPB), atual Partido Progressista (PP). Em 2000, disputou e perdeu a corrida pela Prefeitura de Santo André para Celso Daniel (PT). Dez anos depois, concorreu ao cargo de governador do Estado de São Paulo, derrotado em primeiro turno por Geraldo Alckmin (PSDB). Na televisão, apresentou programas no SBT, Record, Gazeta e na Central Nacional de Televisão (CNT). Russomanno tem 51 segundos do tempo de propaganda de televisão – o atual prefeito, Bruno Covas (PSDB), que lidera as pesquisas, tem direito a três minutos e 29 segundos, seguido por Márcio França (PSB), com um minuto e 36 segundos. Nas peças, ele é apresentado pela sigla CR10, em alusão às iniciais de seu nome e ao número de urna do Republicanos. A ideia partiu do marqueteiro de sua campanha, Elsinho Mouco, com o intuito de facilitar o entendimento da população. Em alguns vídeos, o candidato aparece utilizando a camisa da seleção brasileira, como se estivesse em uma partida de futebol. Ele nega, no entanto, que a inspiração tenha sido o jogador português Cristiano Ronaldo, conhecido pela sigla CR7. “O futebol faz parte do dia a dia do brasileiro. De médico e técnico todos nós temos um pouco. Se as pessoas fizerem uma associação entre CR7 e CR10 e isso ajudar de alguma forma, não tem problema nenhum, mas é cada um na sua. Ele com a 7, eu com a 10”, brinca.

Russomanno já afirmou, em mais de uma ocasião, que só entrou na corrida pela Prefeitura de São Paulo por ter o apoio de Bolsonaro. Até o momento, porém, o presidente da República não apareceu em nenhum vídeo das peças eleitorais – o parlamentar, por sua vez, diz que isto ocorrerá em breve, “no momento mais oportuno”. Na segunda-feira, 26, e na terça-feira, 27, após as pesquisas apontarem queda em seu desempenho, a campanha omitiu as menções ao padrinho político nos jingles. O candidato do Republicanos nega qualquer tentativa de distanciamento. “Não há nenhuma tentativa de descolar minha imagem da do presidente. O presidente está dentro da minha campanha e não descolo minha imagem da dele. Tenho apoio do presidente Bolsonaro e isso não muda em nenhuma hipótese”, diz. “Os jingles variam porque temos vários à disposição, isso é absolutamente natural. Não há desgaste nem descolamento”, acrescenta.