Eleições 2020: ‘Quem tem marca é cerveja. Quero dar continuidade às políticas públicas’, diz Bruno Covas

Em entrevista ao Pânico, o candidato do PSDB à reeleição afirma que não pretende deixar um legado específico com sua gestão porque ‘político não pode escolher apenas uma área para gerir’

  • Por Jovem Pan
  • 27/10/2020 15h20 - Atualizado em 27/10/2020 15h50
MISTER SHADOW/ASI/ESTADÃO CONTEÚDOBruno Covas lidera as pesquisas com 23% das intenções de voto em São Paulo, segundo o Datafolha

Em entrevista ao programa Pânico desta terça-feira, 27, o atual prefeito de São Paulo e candidato à reeleição nas eleições municipais, Bruno Covas (PSDB) fez um balanço de sua gestão durante a pandemia do novo coronavírus e revelou quais serão as próximas medidas que tomará com relação à saúde pública caso reeleito. “Não me envolver nesta situação teria sido a solução mais fácil do mundo. Seria ótimo se houvesse uma regra única para todo o país cumprir frente à Covid-19, mas não pudemos nos furtar da responsabilidade. Até hoje não temos um manual pronto para lidar com o vírus, mas sempre seguimos as recomendações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Não tirei da minha cabeça nenhuma ação tomada pela prefeitura, seguimos a ciência”. Ao avaliar a resposta da prefeitura diante da pandemia, o prefeito considera que a cidade contabilizará um saldo positivo. “Através das ações que fizemos na prefeitura, salvamos 500 mil vidas em São Paulo”, afirmou.

Sobre a reabertura de estabelecimentos, Covas disse que o município seguiu uma ordem de escalonamento. “Era impossível liberar todas as atividades ao mesmo tempo porque, caso contrário, estimularíamos que todos os cidadãos saíssem juntos de casa. Por isso, fomos liberando aos poucos”. No entanto, mesmo assim, algumas atividades permanecem estacionadas, como a retomada das aulas presenciais na rede pública. Segundo ele, as escolas não reabriram porque a prefeitura “jamais encarou a educação como uma atividade econômica igual a qualquer outra”. “De acordo com um inquérito da prefeitura, 70% das crianças entre 0 a 14 anos são assintomáticas, no entanto, possuem a mesma carga viral de um adulto. Ainda sim, 20% das crianças moram com idosos e essa é a nossa preocupação. Estamos avaliando mensalmente a situação”, disse. Segundo ele, será necessário cautela para lidar com o futuro da doença em São Paulo. “A manutenção do distanciamento social continua sendo fundamental para que possamos retornar com as atividades. Estamos reabrindo, mas o vírus segue sendo um problema. Se os cidadãos não se cuidarem, certamente teremos o segundo pico da pandemia. Temos, inclusive, uma grande quantidade de pessoas que não foram infectadas, ou seja, mais de 80% da população não está imune.”

Para Covas, “o vírus não é de esquerda ou direita, mas sim uma realidade a ser enfrentada”. Por isso, o candidato confirma que, se reeleito, seguirá as recomendações da Anvisa caso seja disponibilizada alguma vacina contra a Covid-19. “Primeiro vamos aguardar existir uma vacina, depois esperamos a aprovação da Vigilância. Estamos antecipando uma discussão que nem existe. Tomara Deus que a gente tenha logo uma vacina”. Nesta segunda-feira, 26, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB) disse em coletiva de imprensa que chegarão ao Estado em até uma semana as primeiras seis milhões de doses da vacina CoronaVac, produzida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan. Com planos de estar à frente da Prefeitura, Covas, o candidato que lidera as pesquisas com 23% das intenções de voto, segundo o Datafolha, esclareceu que está com a saúde “muito boa” e que deseja continuar seus trabalhos. “Não apenas dei continuidade ao processo de desestatização, como entreguei 85 mil vagas em creches e 25 mil unidades habitacionais, os dois números são recordes na cidade. Não quero deixar uma marca específica porque quem tem marca é cerveja. Político não pode escolher apenas uma área para gerir, precisa dar continuidade às políticas públicas”, concluiu.

Confira a entrevista com Bruno Covas: