PM do Pará afasta tenente e investiga conduta do policial durante ações de desbloqueio das rodovias

Oficial se recusou a cumprir determinação judicial de liberar fluxo de veículos em vias do país

  • Por Jovem Pan
  • 02/11/2022 13h05 - Atualizado em 02/11/2022 14h30
Vídeo/Reprodução Ruan Carlos Rodrigues Porto PM irá instaurar processo administrativo para avaliar ações do oficial

O tenente Ruan Carlos Rodrigues Porto foi afastado de funções na Polícia Militar do Pará após se recusar a atuar no desbloqueio de rodovias pelo país, conforme estipulado por decisão judicial. A organização afirmou que será instaurado um processo administrativo para apurar a conduta do policial. Nas redes sociais, um vídeo mostra o tenente afirmando que não irá seguir a ordem do juiz em conversa com apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) que protestavam na BR-163. “Primeiramente, queria parabenizá-los pelo ato de cidadania, que é expressar a indignação política, a indignação com aquilo que não convém ao nosso povo. É o primeiro ponto. O segundo é que a maioria aqui já me conhece, já viu um pouco do meu trabalho e sabe que eu sou o subcomandante aqui da região”, inicia o oficial. “O juiz decidiu pela desobstrução da via. Eu, do subcomando aqui, não farei isso, tá? Não farei isso”, acrescenta. A fala foi aplaudida por pessoas no local.

Antes do incidente, Ruan era subcomandante da PM em Novo Progresso, cidade a 1.650 quilômetros de Belém. De acordo com o último levantamento desta quarta-feira, 2, atualmente há 150 vias interditadas. Segundo a PRF, 636 atos foram desfeitos pelas autoridades de segurança desde o início, na segunda-feira, 31. Na terça-feira, 1º, Bolsonaro se pronunciou pela primeira vez após o pleito do domingo, 30. Apesar de não citar sua derrota nas urnas nem o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o mandatário do país condenou as ações dos manifestantes pelas estradas brasileiras. No mesmo dia, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), emitiu nova decisão judicial determinando que as polícias militares dos Estados atuassem na dissolução das manifestações usando todos os recursos necessários para isso, além de multa de R$ 100 mil por hora para os envolvidos nas paralisações. A Suprema Corte brasileira aponta os atos como ilegais, visto que são contra uma eleição reconhecida como válida e democrática.

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