Em busca de alianças para 2022, Lula inicia peregrinação no Nordeste

Movimento do ex-presidente, que fará reuniões com governadores e parlamentares em sete Estados, ocorre no momento em que Bolsonaro acena para a região com a reformulação do Bolsa Família

  • Por André Siqueira
  • 15/08/2021 19h21 - Atualizado em 15/08/2021 22h38
DANILO M YOSHIOKA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO - 10/03/2021Em 2018, Bolsonaro só foi derrotado por Fernando Haddad no Nordeste, histórico reduto eleitoral do PT

Em busca de alianças para 2022, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou neste domingo, 15, no Nordeste, onde ficará até 26 de agosto, para uma série de agendas nos Estados de Pernambuco, Piauí, Maranhão, Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte e Bahia. No cronograma, estão previstos encontros com governadores e parlamentares – em razão da pandemia do novo coronavírus, não haverá eventos de rua. Esta é a primeira viagem política do petista desde que foi solto, em novembro de 2019. O movimento ocorre no momento em que o presidente Jair Bolsonaro acena ao eleitorado nordestino com a reformulação do Bolsa Família, que passará a se chamar Auxílio Brasil – o projeto foi encaminhado na última semana para a Câmara dos Deputados.

Neste domingo, Lula se reuniu inicialmente com correligionários em Pernambuco – ele estava acompanhado da presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, dos deputados federais José Guimarães (PT-CE) e Marília Arraes (PT-PE) e do senador Humberto Costa (PT-PE), titular da CPI da Covid-19. Por lá, os principais compromissos do ex-presidente serão com a cúpula do PSB, legenda que apoiou o impeachment de Dilma Rousseff em 2016. No primeiro deles, foi recebido pelo governador do Estado, Paulo Câmara, um de seus principais interlocutores, no Palácio do Campo das Princesas, sede do governo – líder do PSB na Câmara, Danilo Cabral, e o deputado federal Tadeu Alencar (PSB-PE) acompanharam a agenda. O petista também vai se encontrar com o prefeito de Recife, João Campos (PSB), que disputou o comando da cidade, nas eleições municipais de 2020, com sua prima, Marília Arraes, e utilizou o antipetismo como estratégia eleitoral. Lula também deve se reunir com os deputados Dudu da Fonte (PP-PE) e Silvio Costa Filho (Republicanos-PE), parlamentares filiados a partidos do Centrão.

Na Bahia, onde os principais aliados da gestão do governador Rui Costa (PT) são PP e PSD, os petistas querem sacramentar um apoio destas legendas a Lula. A costura envolve os nomes dos senadores Jacques Wagner (PT-BA), Otto Alencar (PSD-BA) e do vice-governador do Estado, João Leão (PP). Como a Jovem Pan mostrou, apesar do “casamento” do presidente Jair Bolsonaro com lideranças do Progressistas a nível nacional, um dos principais focos de resistência a uma eventual filiação do chefe do Executivo federal ao partido vem, justamente, de caciques baianos.

Em 2018, o então candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, venceu no Nordeste, histórico reduto eleitoral petista. Além disso, Lula segue sendo um importante cabo eleitoral na região. Pensando no pleito de 2022, porém, Bolsonaro tem tentado aumentar sua força na região através de agendas com líderes locais e entrevistas a rádios nordestinas. Na sexta-feira, 13, o mandatário do país esteve em Juazeiro do Norte, no Ceará. No evento, o atual presidente anunciou a presença de um deputado aliado, Pedro Augusto (PTB-CE), e foi vaiado pelos presentes. “As manifestações vindas do povo são sempre bem-vindas”, disse. “Raramente, vamos encontrar um político que não tenha sido aplaudido ou vaiado. Mas faz parte da regra do jogo”, acrescentou.