Escolha de novo vice-líder do governo no Senado deve ficar para depois das eleições 

Envolvimento de senadores com as eleições municipais e esforço para aprovação de autoridades indicadas pela Presidência têm adiado definição de substituto de Chico Rodrigues, flagrado com dinheiro na cueca

  • Por André Siqueira
  • 27/10/2020 13h10
Marcos Correa/PRChico Rodrigues foi flagrado pela PF com mais de R$ 30 mil na cueca

A escolha do novo vice-líder do governo Bolsonaro no Senado deve ficar para depois do primeiro turno das eleições municipais deste ano, marcado para o dia 15 de novembro. O cargo está vago desde a saída do senador Chico Rodrigues (DEM-RR), alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) que o flagrou com mais de R$ 30 mil na cueca. A avaliação é do líder do governo no Congresso, senador Eduardo Gomes (MDB-TO). “[Escolha do novo vice-líder] Deve ficar para depois do dia 15 de novembro. O cargo está vago e precisa ser preenchido, mas viemos de uma semana de esforço concentrado, com sabatinas. Além disso, os parlamentares estão dedicados às campanhas em suas bases e, na próxima semana, teremos sessão importante do Congresso. Por isso tudo, acredito que a escolha deve ser feita depois das eleições”, disse à Jovem Pan.

Chico Rodrigues deixou o cargo de vice-líder do governo no Senado no dia 15 de outubro, um dia depois de a Polícia Federal cumprir mandados de busca e apreensão no âmbito de uma investigação que apura desvios de recursos públicos destinados ao combate ao novo coronavírus no estado de Roraima. O episódio causou mal-estar no Palácio do Planalto, por ter ocorrido horas depois de o presidente Jair Bolsonaro afirmar que daria uma “voadora no pescoço” de quem se envolvesse com corrupção em seu governo. Segundo a PF, a operação que atingiu Chico Rodrigues buscava a “desarticulação de possível esquema criminoso voltado ao desvio de recursos públicos, oriundos de emendas parlamentares”. A Controladoria-Geral da União (CGU), que também faz parte da investigação, disse que a operação Desvid-19 apura o “desvio de recursos públicos por meio do direcionamento de licitações”. Ainda segundo a CGU, as contratações suspeitas de irregularidades, realizadas no âmbito da Secretaria de Estado da Saúde, envolveriam aproximadamente R$ 20 milhões que deveriam ser utilizados no combate ao novo coronavírus.