Governo não deve ter maioria na CPI da Covid-19; entenda

Entre as indicações feitas pelos partidos até o momento, apenas quatro senadores são tidos como aliados; resta a escolha de um parlamentar do PL ou do PSC, siglas da base governista

  • Por André Siqueira
  • 14/04/2021 12h08 - Atualizado em 14/04/2021 16h13
EFE/ Joédson Alves/ArchivoLeitura do requerimento para a criação da CPI ocorreu na tarde desta terça-feira, 13

Após a determinação do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), leu na sessão desta terça-feira, 13, o requerimento que cria a CPI da Covid-19. As apurações não ficarão restritas ao governo do presidente Jair Bolsonaro, mas apenas o repasse de verbas federais a Estados e municípios poderá ser investigado. Apesar de parlamentares governistas terem comemorado o fato de o pedido do senador Eduardo Girão (Podemos-CE) ter sido apensado ao do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), as indicações partidárias feitas até o momento indicam que o Palácio do Planalto não deve ter maioria no colegiado.

A CPI será formada por 11 titulares e 7 suplentes e, até o momento, dez parlamentares foram escolhidos por seus partidos – resta a indicação de um senador do PL ou do PSC, partidos da base do governo. O bloco Unidos pelo Brasil, formado pelos partidos MDB, Republicanos e Progressistas (PP), indicou os senadores Renan Calheiros (MDB-AL), Eduardo Braga (MDB-AM) e Ciro Nogueira (PP-PI). O primeiro é um crítico contumaz do governo, enquanto Braga, líder da legenda no Senado, acentuou as críticas à gestão de Bolsonaro na pandemia após o colapso em Manaus. Nogueira, por sua vez, é presidente nacional do PP e um dos principais aliados do presidente da República no Congresso.

Também estão confirmados os nomes de Humberto Costa (PT-PE), Otto Alencar (PSD-BA), Tasso Jereissati (PSDB-CE), Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Omar Aziz (PSD-AM), Eduardo Girão (Podemos-CE) e Marcos Rogério (DEM-RO). Os quatro primeiros fazem oposição ao governo federal, enquanto Girão e Rogério têm identificação com o governo – Aziz, por sua vez, é tido como independente. A última vaga, pertencente ao bloco Vanguarda, deve ficar entre os senadores Jorginho Mello (PL-SC) e Zequinha Marinho (PSC-PA). Com isso, ao menos até o momento, o governo Bolsonaro conta com apenas quatro cadeiras. Diante deste cenário, segundo apurou a Jovem Pan, a tropa de choque do Palácio do Planalto trabalha, agora, para “conter danos”, ou seja, impedir que a relatoria fique com um opositor – dois dos nomes cotados são Renan Calheiros e Randolfe Rodrigues. Além disso, aliados do presidente da República também tentam protelar o início dos trabalhos. Na sessão desta terça-feira, o senador Eduardo Gomes (MDB-TO) apresentou questão de ordem – não respondida por Pacheco – para que a CPI só passe a funcionar quando os senadores e os servidores envolvidos com o colegiado estejam vacinados.