‘Hoje eu tenho 10% de mim dentro do Supremo’, afirma Bolsonaro sobre Nunes Marques

Presidente mantém confiança sobre indicação de André Mendonça para o STF, que espera há meses para ser sabatinado

  • Por Jovem Pan
  • 09/11/2021 17h07
Fellipe Sampaio/STF Ministro Nunes Marques foi indicado pelo presidente Jair Bolsonaro ao STF Kassio Nunes Marques foi indicado por Bolsonaro para o Supremo em 2020, quando Celso de Mello se aposentou

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) comentou sobre a atuação de Kassio Nunes Marques, único ministro que indicou ao Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo Bolsonaro, ele não controla os votos do ministro, mas Nunes Marques pede vistas em algum processo (ou seja, para passar mais tempo analisando) para evitar derrotas de posições conservadoras no plenário da corte. “Eu indiquei um (ministro) para o Supremo. Vamos desconsiderar o presidente, que só em caso extremo que tem uma participação mais ativa lá. São 10 que decidem lá. Hoje eu tenho 10% de mim dentro do Supremo. Não é que eu mande no voto do Kassio, não é que eu mande no voto dele, mas o que eu podia apresentar naquele momento para o Senado, quem bota no Supremo não sou eu, quem bota é o Senado, era o Kassio”, afirmou Bolsonaro em entrevista ao Jornal da Cidade Online.

Na sequência, o presidente comentou sobre o mecanismo de pedir vista, quando um ministro pede mais tempo para analisar um julgamento e não tem prazo para devolver à pauta. “Quando se fala em pautas conservadoras, ele já pediu vista de muita coisa que tem que a ver com conservadorismo. Porque, se ele apenas votasse contra, ia perder por 8 a 3, ou 10 a 1. A gente não quer perder por 8 a 3 ou 10 a 1. A gente quer ganhar o jogo ou empatar. Ele está empatando esse jogo”, comentou. Kassio Nunes Marques foi a primeira indicação de Bolsonaro para o STF, na vaga de Celso de Mello, que se aposentou em 2020.

Em 2021, outra vaga se abriu na corte com a aposentadoria de Marco Aurélio Mello, e Bolsonaro indicou o ex-ministro da Justiça André Mendonça para ocupá-la. Contudo, há quase quatro meses Mendonça espera para ser sabatinado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, passo obrigatório para assumir o cargo, porque o presidente da CCJ, Davi Alcolumbre (DEM-AP), se nega a marcar uma data. Bolsonaro reafirmou confiança no nome indicado. “Agora indiquei um, que é um compromisso meu, um evangélico. Está dando para quatro meses que não entra na pauta para a sabatina. O que está acontecendo? O presidente da Comissão de Constituição e Justiça não é simpático a esse nome. E como ele não é simpático a esse nome, ele quer outro nome. Agora, eu não tenho como fugir do nome do André”, disse o presidente.