Líder do PSB diz que PL não liga para presos do 8 de Janeiro e só pressiona por anistia quando Bolsonaro está em risco
O líder do PSB na Câmara, deputado Pedro Campos (PE), afirmou que a pressão do PL para votar o projeto de anistia só aparece quando há risco direto para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo ele, a mobilização não se repete quando o tema envolve apenas os presos pelos ataques de 8 de Janeiro. “Quem impulsiona anistia para Bolsonaro são sempre aqueles que estão mais preocupados com ele do que com a anistia de 8 de Janeiro. Essa temperatura só sobe quando Bolsonaro está em risco”, disse o irmão de João Campos, prefeito do Recife, em entrevista à Folha de S.Paulo.
No último dia 11, a Primeira Turma do STF condenou Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, entendendo que ele liderou uma organização criminosa para permanecer no poder. Campos lembrou que, logo após os ataques em Brasília, o ex-presidente chegou a chamar os manifestantes de “baderneiros e malucos”. Para o deputado, Bolsonaro abandonou seus apoiadores desde que viajou para os Estados Unidos, em 2022, e só passou a defender a anistia quando seu processo se aproximou do julgamento.
“Aquelas pessoas sempre foram usadas por ele. Se elas forem esperar por Bolsonaro para serem soltas, não vão ser soltas nunca”, afirmou o socialista. A discussão sobre anistia voltou a ganhar força nas últimas semanas, com articulação de aliados de Bolsonaro e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que tenta se aproximar da base bolsonarista de olho na eleição presidencial de 2026. Campos avalia que Tarcísio busca conquistar o eleitorado radical ligado a Bolsonaro, mas pode enfrentar resistência da elite econômica e de eleitores de centro. “Ele virou candidato do centrão e da elite antes de virar candidato de Bolsonaro. Agora corre atrás de quem tem mais voto, que é o próprio Bolsonaro”, disse.
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A pauta deve ser discutida nesta terça-feira (16) em reunião de líderes na Câmara. A oposição cogita obstruir as votações caso o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), não coloque o projeto em análise. Embora a Constituição não proíba expressamente a concessão de anistia para crimes contra a democracia, o STF já consolidou jurisprudência de que anistia e indulto não alcançam esse tipo de delito — como ocorreu no julgamento do ex-deputado Daniel Silveira.
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Publicado por Felipe Dantas
*Reportagem produzida com auxílio de IA