Lula diz que só conversará com militares quando ‘for eleito’: ‘Serei chefe deles’

Para o ex-presidente, há um excesso de preocupações e discursos sobre as Forças Armadas, que têm ‘seu papel definido na Constituição’

  • Por Jovem Pan
  • 16/08/2021 21h52
GABRIELA BILÓ/ESTADÃO CONTEÚDOLula disse, ainda, que o presidente Jair Bolsonaro está fazendo um "desprestígio" à instituição Forças Armadas

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta segunda-feira, 16, em entrevista coletiva em Pernambuco, que só sentará para conversar com as Forças Armadas quando for eleito em 2022. “Eu não tenho conversa com os militares, não há porque conversar com os militares, com o Ministério Público, com a Polícia Federal. São instituições do Estado, têm funções a cumprir e tem que respeitar o regulamento e a Constituição. Quando eu ganhar eu vou conversar, porque daí vou ser chefe deles e dizer o que eu penso e qual o papel deles”, disse Lula. Para o ex-presidente, há um excesso de preocupações e discursos sobre as Forças Armadas, que têm “seu papel definido na Constituição“.

“O que nós vamos fazer com as Forças Armadas é ela cumprir o seu papel constitucional. As Forças Armadas existem para garantir a soberania nacional contra possíveis inimigos internos. Ela tem que tomar conta das nossas fronteiras, das nossas fronteiras terrestres, das nossas fronteiras marítimas. Ela tem que tomar conta do nosso espaço aéreo e ela precisa proteger o povo brasileiro. É isso que ela tem que fazer. E não se meter em política. Se quiser se meter em política, tira a farda, vai virar um cidadão comum e pode ser candidato a qualquer coisa, nós já tivemos”, afirmou. Lula disse, ainda, que o presidente Jair Bolsonaro está fazendo um “desprestígio” à instituição Forças Armadas e que quer que elas “sejam fortes, bem armadas e bem preparadas pra não deixar ninguém meter o bedelho aqui [no Brasil]”. “O que não pode é um presidente da República ficar dando emprego que é da área pública, civil, ficar colocando militar da reserva. Tem mais coronel e mais general dentro do governo do que nos quartéis.”