Ministério da Economia disse à Pfizer em agosto que não era responsável pela compra de vacinas

O gerente-geral da farmacêutica na América Latina já havia relatado que governo brasileiro não aceitou nem recusou suas ofertas de imunizantes

  • Por Jovem Pan
  • 15/05/2021 19h12
Fabio Rodriguez Pozzebom/Agência Brasil O ministro Paulo Guedes também teria recebido e ignorado uma carta em que a Pfizer demonstra estar aberta para negociações

O Ministério da Economia confirmou à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19 que informou à Pfizer em agosto que não era responsável pela decisão de compra de vacinas contra a doença. A Pasta relata que a empresa a procurou para informar sobre a sua tecnologia para desenvolver e produzir o imunizante durante uma reunião entre representantes do ministério e executivos da farmacêutica, que ocorreu em 7 de agosto de 2020. Na ocasião, o Ministério da Economia disse que não poderia decidir sobre a aquisição de doses porque a decisão era de Saúde Pública. Na última semana, durante uma audiência da CPI da Covid-19, o gerente-geral da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, já havia citado a existência dessa reunião realizada em agosto com os representantes do Ministério da Economia. Este contato, no entanto, teve caráter preliminar porque na ocasião a farmacêutica ainda não havia feito uma oferta formal ao governo brasileiro.

Segundo Murillo, a Pfizer fez duas propostas formais de venda de vacinas contra a Covid-19 ao Brasil nos dias 14 e 26 de agosto, para compra de 30 milhões e 70 milhões de doses a serem entregues em 2020 e 2021. O preço oferecido pela empresa era de US$ 10 a unidade (cerca de R$ 53). Como o governo brasileiro não aceitou nem recusou nenhuma dessas ofertas, a Pfizer enviou uma carta no dia 12 de setembro de 2020 indicando estar aberta a negociações. Essa informação já tinha sido inclusive confirmada pelo ex-secretário de Comunicação Social da Presidência, Fábio Wajngarten, na última quarta-feira, 12. Segundo ele, a carta ficou dois meses sem resposta e tinha entre os destinatários o então ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, e o próprio ministro da Economia, Paulo Guedes.

*Com informações do Estadão Conteúdo