Plenário do Senado aprova recondução de Augusto Aras à PGR

Procurador recebeu 55 votos favoráveis e 10 contrários, além de uma abstenção; nesta tarde, indicado de Bolsonaro passou por seis horas de sabatina na CCJ

  • Por Jovem Pan
  • 24/08/2021 20h54 - Atualizado em 24/08/2021 21h36
Dida Sampaio/Estadão Conteúdo aras Augusto Aras já havia sido aprovado pela CCJ do Senado

O plenário do Senado Federal aprovou a recondução de Augusto Aras ao cargo de Procurador-Geral da República (PGR). A indicação foi votada no plenário da Casa na noite desta terça-feira, 24. Mais cedo, a recondução havia sido aprovada por 21 votos a seis na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. No plenário, foram 55 votos a favor e 10 contrários à recondução de Aras ao cargo. Além disso, também houve uma abstenção. Com a aprovação, Aras seguirá no cargo até 2023. Na sabatina, o PGR criticou a Lava-Jato, negou ter sido omisso em relação ao comportamento do presidente e afirmou que “houve ameaças reais aos ministros do Supremo”, se referindo às prisões do deputado Daniel Silveira e do ex-deputado Roberto Jefferson. Após a aprovação, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), afirmou que a decisão seria comunicada oficialmente ao presidente da República e que a Casa seguirá com a análise dos demais projetos.

Sabatina na CCJ

Durante sabatina, Aras disse que só se pronunciaria sobre a CPI da Covid-19 após receber relatório da Comissão, comentou sobre o combate à pandemia no Brasil e destacou que o Ministério Público não é uma ferramenta da oposição ao governo, e sim do Estado, ressaltando o poder dos próprios senadores na fiscalização dos órgãos durante a crise sanitária da Covid-19. “Não podemos interferir nas competências desta casa, do Congresso Nacional, porque as competências maiores de edição de leis e fiscalização dos poderes é desta casa. Não posso ser censor, só posso ser fiscal de condutas ilícitas”, afirmou.

Ele pontuou, ainda, que as instituições estão funcionando “normalmente” em meio a uma crescente tensão entre os Três Poderes, admitiu que polarizações são danosas, mas acrescentou que seu papel não é “agradar nem ao governo nem à oposição”. Apesar disso, ele reconheceu ameaças feitas contra o Supremo Tribunal Federal (STF) ao longo dos últimos anos. “No momento posterior, da prisão, tanto do Daniel Silveira, quanto do Roberto Jefferson, houve ameaças reais aos ministros do Supremo. De maneira que, se no primeiro momento, a liberdade de expressão era o bem jurídico constitucional tutelado mais poderoso que existe dentro da Constituição, no segundo momento abandonou-se a ideia da liberdade de expressão para configurar uma grave ameaça”, considerou. A votação da CCJ foi secreta e apenas um dos parlamentares se opôs publicamente ao novo mandato do PGR, o senador Alessandro Vieira (Cidadania), que considerou a recondução de Aras como “mais uma demonstração do casamento de conveniência entre Bolsonaro, PT e Centrão” em publicação nas redes sociais.

Aras também fez comentários sobre o conceito de liberdade de expressão e chegou a afirmar que, sob o ponto de vista dele, a linha divisória entre a liberdade de expressão de um chefe de poder Executivo e de outras pessoas é baseada na “repercussão” dos casos. O PGR disse que cumpriu o seu dever e as promessas feitas aos parlamentares em 2019, quando foi alçado ao cargo pela primeira vez, e criticou o que ele chamou de ‘pessoalização’ da Operação Lava Jato. “Talvez, se nós tivéssemos, a cada duas grandes operações, feito o vazamento seletivo das operações, dos investigados, talvez eu estivesse numa posição de muito elogio por parte de alguns, como quem distribuiu flechadas por todo o Brasil, criminalizando a política”, afirmou, lembrando que a PGR fez 35 operações sem “vazamentos seletivos ou espetáculos midiáticos”. Entre os momentos nos quais foi alvo de críticas por parte de parlamentares, o PGR lembrou de quando decidiu que o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, não tinha obrigação de pautar os pedidos de impeachment contra Jair Bolsonaro. Naquela ocasião, segundo Aras, ele prezou pela “liberdade” de Maia dentro do cargo.