Por que senadores preferem que Augusto Aras fique na PGR e não vá para o STF

Para parlamentares, ida do procurador-geral para o Supremo abriria caminho para escolha de aliada que entrou em rota de colisão com governadores e questionou eficácia das máscaras

  • Por André Siqueira
  • 24/08/2021 09h49
Marcelo Camargo/Agência BrasilAugusto Aras será sabatinado nesta terça-feira pela CCJ do Senado e deve ser aprovado para novo mandato à frente da PGR

Desde que o presidente Jair Bolsonaro dobrou a aposta na crise contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e apresentou o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, cresceu no Senado a indisposição de se aprovar a indicação de André Mendonça para a cadeira que está vaga desde a saída do ministro Marco Aurélio Mello. Em decorrência disso, passaram a ser aventados nos corredores do Senado alternativas ao nome do ex-advogado-geral da União. Entre eles estão o do procurador-geral da República, Augusto Aras, e do presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Humberto Martins. Embora o atual PGR tenha a simpatia de boa parte dos parlamentares, a escolha de seu substituto como chefe do Ministério Público Federal (MPF) explica por que os senadores preferem aprová-lo para um novo mandato de dois anos à frente da Procuradoria-Geral da República (PGR) a vê-lo como magistrado da mais alta Corte do país.

Se Aras for indicado por Bolsonaro para o STF, lideranças políticas apostam que o presidente escolherá a subprocuradora-geral, Lindôra Araújo, para sucedê-lo. Para esses parlamentares, esta hipótese seria ainda pior. Isto porque Araújo é próxima ao senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), o filho Zero Um do chefe do Executivo federal, e entrou em rota de colisão com governadores em razão das investigações de suspeitas de desvios de verbas repassadas pela União aos Estados para o combate da pandemia do novo coronavírus. Dois senadores ouvidos pela Jovem Pan também citaram o recente parecer da subprocuradora, braço-direito de Aras na PGR, contra o uso de máscaras. Após o presidente Jair Bolsonaro participar de uma motociata no Rio de Janeiro sem usar o equipamento de proteção, o PT apresentou ao Supremo um pedido de investigação contra o mandatário do país. Em resposta à Corte, Lindôra disse não ser possível “realizar testes rigorosos que comprovem a medida exata da eficácia da máscara de proteção como meio de prevenir a propagação do novo coronavírus”.