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Política

Quem é o vereador que ‘representa o bolsonarismo’ na Câmara de Belo Horizonte

Nikolas Ferreira, de 24 anos, foi o segundo mais votado na cidade, defende o conservadorismo e já posou com armas nas redes sociais

André Siqueira

Coordenador do movimento “Direita Minas”, formado em direito pela PUC Minas, conservador e representante do bolsonarismo na Câmara Municipal de Belo Horizonte. É assim que Nikolas Ferreira, segundo vereador mais votado da capital mineira, se apresenta a seus seguidores. Com 24 anos de idade e filiado ao PRTB, mesma legenda do vice-presidente da República, Hamilton Mourão, o parlamentar é defensor de pautas alinhadas ao governo do presidente Jair Bolsonaro: é a favor do porte de armas, contra o aborto e um contumaz crítico das políticas de isolamento social como medida para conter a disseminação do novo coronavírus. Em seu perfil no Instagram, Ferreira possui mais de 286 mil seguidores, entre eles o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e o filho mais novo de Bolsonaro, Jair Renan, conhecido como Zero Quatro.

Eleito nas eleições municipais de 2020 com 29.388 votos, Nikolas contou com o apoio de Eduardo Bolsonaro durante a campanha – o deputado federal fez uma live com o candidato a vereador em seu perfil do Instagram. O empenho na militância de direita, no entanto, vem de longa data. Em 2016, Ferreira participou de atos a favor do impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT). Também nas redes sociais, exibe fotos ao lado de Jair Bolsonaro da época em que o atual presidente da República era um dos 513 deputados federais. O vereador já publicou fotos ao lado do ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, e escreveu uma mensagem de aniversário para Olavo de Carvalho, escritor de grande influência no círculo bolsonarista.

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No fim de 2020, já eleito, uma publicação de Nikolas Ferreira repercutiu nas redes sociais. Nela, o jovem de 24 anos aparece exibindo um fuzil T4 da Taurus, uma das principais fabricantes de armas no Brasil. Nos comentários, o deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP), capitão da Polícia Militar de São Paulo, convida o vereador para “atirar quando você vier a Brasília novamente”. No início de mês de dezembro, porém, antes de tomar posse, um vídeo de Nikolas questionando o uso de máscara e a eficácia do isolamento social viralizou. “Se a máscara funciona, por que o distanciamento? E se o distanciamento funciona, por que a máscara? E se os dois funcionam, por que a quarentena? E se a quarentena funciona, por que estamos caminhando para outra?”, indaga. O bolsonarista também é um crítico ferrenho da gestão do prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSDB).

 

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Uma publicação compartilhada por Nikolas Ferreira (@nikolasferreiradm)

Nikolas participou de uma manifestação contrária à vacinação obrigatória que terminou em frente à sede da Prefeitura de Belo Horizonte. Nos vídeos divulgados nas redes sociais, o vereador diz que a população não será “cobaia de ninguém” e que estará ao lado dos manifestantes para “lutar pela nossa liberdade”. Em entrevista ao programa “Os Pingos nos Is”, da Jovem Pan, Ferreira afirmou que, durante a pandemia, os brasileiros foram “submetidos a medidas irracionais, desequilibradas e contrárias às teses científicas”. “Você entra de máscara no shopping, mas está livre do coronavírus na praça de alimentação?”, ironizou. Na ocasião, também explicou como o conservadorismo influencia sua atuação enquanto militante e parlamentar – ele participou da Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC).

“A CPAC abriu meus olhos para algo que eu já tinha percebido há algum tempo. Vi a organização do conservadorismo nos EUA, grupos como o Turning Point USA, de jovens, que mostra a realidade do que é a esquerda, de como ela trabalha por meio da cultura. Trago tudo isso para o Brasil. Temos um presidente de direita, conservador, mas a cultura está tomada pela esquerda. Professores não mais fazem doutrinação comunista. Só existe manipulação de comportamento. O que temos que trazer para o Brasil é isso: nos organizarmos para mostrar que o que muda uma geração é a cultura. É impossível dizer que a esquerda está morta. Um cristão entra na universidade e, em seis meses, passa a defender o aborto. Você percebe que há uma manipulação. A cultura e a produção literária mudam mentes”, disse.

Dentro do Legislativo, Nikolas promete ser uma “muralha contra esquerdistas”. Em uma de suas manifestações contra vereadores de oposição, fez um ataque transfóbico à vereadora Duda Salabert (PDT), primeira mulher trans eleita em BH, com o recorde histórico de 37.500 votos. “Eu ainda irei chamá-la de ‘ele’. Ele é homem. É isso o que está na certidão dele, independentemente do que ele acha que é. Mas não estou preocupado com a ‘opção sexual’, nem gênero de ninguém, desde que a pessoa não se paute pela ideologia na Câmara”, disse, em entrevista ao jornal “Estado de Minas”. Em 2019, por 8 votos a 3, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a criminalização da homofobia e transfobia. Os ministros consideraram que atos preconceituosos contra homossexuais e transexuais devem ser enquadrados no crime de racismo. A pena é de um a três anos de prisão, além de multa. Se houver divulgação do ato homofóbico nas redes sociais, o período de reclusão aumenta para dois a cinco anos.

Veja alguns tuítes de Nikolas que fizeram sucesso entre os conservadores:

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