Servidor confirma irregularidades na compra da Covaxin e contradiz versão apresentada pelo governo
Em seu depoimento à CPI da Covid-19, o consultor técnico Willian Amorim Santana, lotado no departamento de importação do Ministério da Saúde, detalhou as irregularidades apontadas no contrato firmado pelo governo do presidente Jair Bolsonaro com a Precisa Medicamentos para a compra de 20 milhões de doses da vacina Covaxin. Em uma sessão que durou cerca de cinco horas, ele apresentou informações que contradizem a versão do Palácio do Planalto para o caso, que veio à tona com a denúncia feita pelos irmãos Luis Ricardo Miranda, chefe de importação da pasta, e o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF), que depuseram à comissão no dia 25 de junho.
Segundo relatou Willian Santana, no dia 16 de março, a divisão de importação recebeu um primeiro e-mail da Precisa Medicamentos, que intermediou a compra da Covaxin, na qual a empresa solicita providências para a abertura da licença de importação (LI) e encaminha uma cópia do contrato celebrado com a União – a assinatura ocorreu no dia 25 de fevereiro. Dois dias depois, o Ministério da Saúde recebe um segundo e-mail da Precisa. Neste, há uma série de documentos, entre eles, a primeira invoice (nota fiscal). No dia 22 de março, a fiscal do contrato, Regina Célia, foi avisada por Santana das divergências entre o que previam o contrato e a nota fiscal. Entre as irregularidades estavam a previsão de pagamento antecipado de US$ 45 milhões para a Madison Biotech, empresa que não constava no contrato, um quantitativo menor de doses que seriam enviadas ao Brasil, e a ausência de informações sobre o lote que chegaria ao país.
[jp-related-posts ids=”1123326,1123283,1123280″]
A linha cronológica apresentada nesta sexta-feira, 9, contradiz a versão apresentada pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Onyx Lorenzoni, e pelo ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde Elcio Franco Filho, na coletiva de imprensa do dia 23 de junho. Naquela ocasião, Lorenzoni disse que a invoice do dia 18 de março, citada por Luiz Ricardo Miranda e por Willian Santana, não existiu. Ao longo da sessão, os senadores governistas Marcos Rogério (DEM-RO) e Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) endossaram a versão do auxiliar presidencial e apresentaram um laudo pericial segundo o qual o documento só chegou à pasta no dia 19 de janeiro. Em mais de uma ocasião, porém, o depoente disse que recebeu e visualizou a primeira versão da nota fiscal em um link na plataforma Dropbox. “Eu vi esse documento. Eu vi o documento, senador. Encaminhei, inclusive, o link do Dropbox para o fiscal do contrato”, disse Santana. “Eu quero crer que o senhor não tem certeza [do que está falando]. Senão, o senhor está mentindo”, rebateu o filho do presidente da República. Em razão do conflito de versões, os senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Simone Tebet (MDB-MS) pediram que fosse feita uma perícia independente.
A compra da Covaxin é a principal linha de investigação da CPI da Covid-19, neste momento. Em razão das denúncias de irregularidades, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, anunciou a suspensão do contrato, que também está na mira do Tribunal de Contas da União (TCU), da Controladoria-Geral da União e do Ministério Público Federal. Nos próximos dias, a comissão ouvirá, pelo menos, duas testemunhas citadas neste processo. Na terça-feira, 13, ocorrerá a oitiva de Emanuela Medrades, diretora da Precisa Medicamentos, a quem cabia, por exemplo, trocar e-mails com os servidores do Ministério da Saúde. Uma semana depois, na terça-feira, 20, será a vez do líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PR). De acordo com o deputado Luis Miranda (DEM-DF), ao apontar indícios de corrupção na compra da Covaxin ao presidente Jair Bolsonaro, em uma reunião no Palácio da Alvorada no dia 20 de março, o chefe do Executivo federal disse que “isso era coisa do Ricardo Barros”. O parlamentar do PP nega o seu envolvimento no caso, mas, até agora, Bolsonaro não desmentiu Miranda.
continue lendo
Política
Quais integrantes da família Bolsonaro já foram eleitos para cargos públicos
Família ampliou presença institucional em 2026, quando quatro integrantes conquistaram vagas no Congresso além da trajetória política de Jair e Flávio
- Como funciona o segundo turno para presidente no Brasil Jovem Pan · há 42 minutos
- O que acontece se o presidente eleito não tomar posse no prazo Jovem Pan · há 2 horas
- O horário de votação é o mesmo em todo o Brasil no segundo turno? Jovem Pan · há 2 horas
- Quem comanda a campanha de Lula no segundo turno? Jovem Pan · há 2 horas