STF reforça proibição a penduricalhos e aumenta vetos a medidas que driblam teto

Despacho sai no mesmo dia em que Corte publicou o acórdão que detalha as regras que limitam os pagamentos extras no Judiciário e MP

  • Por Nícolas Robert
  • 08/05/2026 14h45 - Atualizado em 08/05/2026 15h27
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Wallace Martins / STF Estátua da Justiça localizada em frente ao prédio do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília Estátua da Justiça localizada em frente ao prédio do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília

Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) publicaram, nesta sexta-feira (8), uma despacho que reforça a proibição de qualquer manobra administrativa que tente contornar as novas regras da Corte sobre os pagamentos de penduricalhos e acrescenta novos vetos a medidas que possam driblar o teto salarial.

O documento, assinado pelos ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Gilmar Mendes, visa impedir mudanças de estrutura nos órgãos para manter remunerações acima do teto constitucional.

A manifestação dos ministros ocorre no mesmo dia em que o STF publica o acórdão do julgamento que definiu limites para a remuneração de juízes e integrantes do Ministério Público.

No despacho desta sexta-feira, os ministros reiteram a proibição da criação de artifícios, atos normativos ou resoluções internas que tenham como objetivo desrespeitar os parâmetros fixados pelo Supremo. O tribunal alertou que tentativas de burlar a decisão resultarão em responsabilização administrativa e penal dos envolvidos, além da devolução dos valores pagos irregularmente.

“Em complemento à decisão datada de 06/05/2026, fica esclarecido que também estão proibidas as revisões, reclassificações ou reestruturações de comarcas, ofícios, unidades funcionais, cargos e funções do Poder Judiciário, Tribunais de Contas, Ministério Público, Advocacia Pública e Defensoria Pública, incluindo benefícios assistenciais e de saúde, em relação a todos os órgãos alcançados pela decisão do STF sobre o regime remuneratório e de vantagens funcionais”, diz o despacho.

Acórdão publicado

O acórdão publicado pelo STF detalha as regras que devem ser seguidas por todo o Judiciário e Ministério Público do país. O documento reafirma que o teto do funcionalismo público é o salário dos ministros do Supremo R$ 46.366,19 -.

Historicamente, juízes e procuradores recebiam valores acima desse limite por meio de verbas indenizatórias, como auxílios e gratificações, que ficavam de fora da conta do teto. Com a nova decisão, o STF determinou que:

  • Apenas parcelas indenizatórias previstas em lei nacional podem ser pagas;
  • Ficam proibidos os pagamentos de auxílios criados por leis estaduais ou resoluções internas dos tribunais;
  • Fica proibida a conversão de licenças (como licença-prêmio e folgas compensatórias) em dinheiro;
  • Benefícios permitidos (como adicional por tempo de serviço e diárias) passam a ter um limite de valor, não podendo ultrapassar uma porcentagem específica do salário base do magistrado;

O pagamento de valores retroativos está suspenso e só poderá ser feito após auditoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), com autorização final do próprio STF.

As regras já estão em vigor. O Supremo também determinou que todos os tribunais e ministérios públicos publiquem mensalmente na internet o valor exato recebido por seus membros, com a identificação de cada benefício pago.

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