Presidente do Burundi reforça que não voltará a concorrer caso ganhe eleições
O presidente do Burundi, Pierre Nkurunziza, voltou a dizer nesta quarta-feira que não irá se candidatar novamente caso ganhe as próximas eleições e pediu aos cidadãos que cessem os protestos para que as legislativas, que foram adiadas até 5 de junho, possam acontecer com normalidade.
As declarações do presidente foram feitas poucas horas depois de um soldado morrer baleado pela polícia durante as manifestações desta manhã em alguns bairros da capital, Bujumbura, segundo confirmaram à Agência EFE fontes do exército.
Em discurso transmitido pela “Rádio Televisão do Burundi” (RTNB), Nkurunziza garantiu que a opinião pública pode ficar tranquila.
“Se o povo burundinês voltar a confiar em mim, este será o último mandato, como estipulou a decisão do Tribunal Constitucional”, disse ele.
Nkurunziza também garantiu aos manifestantes que, caso suspendam os protestos, ele libertará todos os cidadãos que foram detidos no último mês, já que considera que o país deve focar nos próximos pleitos de 5 e 26 de junho.
O presidente do Burundi também fez um pedido à comunidade internacional e afirmou que as votações serão livres, transparentes e se desenvolverão em um clima de tranquilidade.
No entanto, os protestos contra a decisão de Nkurunziza de aspirar a um terceiro mandato seguiram ao longo do dia de hoje e em Nyakabiga (Bujumbura) um militar morreu e outro ficou ferido por tiros da polícia, segundo confirmou à EFE o porta-voz do exército burundinês, o coronel Gaspard Baratuza.
Ao meio-dia, neste mesmo bairro, manifestantes roubaram os postos de telefone de uma companhia de celular e os utilizaram para suspender barricadas, além de terem queimado pneus.
Os protestos começaram por volta das 9h (horário local) no distrito de Musaga, onde os manifestantes tacaram pedras contra a polícia, que os dispersou com tiros para o alto e gás lacrimogêneo.
Depois de algumas horas de calma, a polícia voltou a dirigir uma grande ofensiva para dispersar os manifestantes utilizando munição real, sem que, por enquanto, se saiba se há vítimas.
Os agentes pediram aos jornalistas que deixassem o local e teriam utilizado, em alguns casos, armas de grande calibre para dissuadi-los de permanecer no bairro.
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