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Profissionais negros apontam dificuldades no setor de tecnologia, mesmo com alta demanda de trabalho

Segundo Ministério do Trabalho, número de pessoas negras com carteira de trabalho assinada caiu de 51% para 45%

Pedro Jordão

A pesquisa Potências Negras TEC, realizada em outubro, aponta obstáculos no setor de tecnologia para pessoas negras. O estudo ouviu 1.427 pessoas, 69% pretas e 21% pardas, das quais 83% afirmam já ter sofrido discriminação no ambiente corporativo por colegas de trabalho, na área de recursos humanos e chefes. De acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitias (Brasscon) o mercado demandará 797 mil profissionais até 2025, mas o país forma anualmente 53 pessoas nessa área. Mariana Gonçalves ultrapassou o estigma da mulher negra que atua na área de tecnologia. “É possível mudar de carreira independente da idade, do sexo, da sua raça, se você tiver dedicação, força de vontade e oportunidade, você chega onde você quiser”. Ela trabalha na França e diz que sobram vagas no mundo e com boas remunerações no setor. “Por ser mulher, a gente não pode ser simplesmente só boa. A gente tem que ser extraordinária. A gente tem que mostrar, de fato, que valeu a pena para aquele empregador me contratar e estar comigo até hoje. Então eu não simplesmente tenho que fazer o meu. Eu tenho que ser 1001% melhor para que de, fato, ele olhe para o meu trabalho e fala e diga que acertou em me contratar em me ter na equipe”, diz.

Eliel Ebenezer criou a Qodeless, uma escola para quem busca profissionalização no setor. “Eu tenho 15 anos de experiência na área. No meus primeiros anos de carreira percebi que eu era menos de 10%, como uma pessoa preta eu tenho propriedade para falar porque eu vi certas dificuldades, mas nunca coloquei isso em pauta, sempre coloco que não é a cor que define a capacidade técnica, mas existem latentes dificuldades. Há algum filtro, há alguma régua social ou até racial que impede o avanço de algumas pessoas”.

O Ministério do Trabalho e Previdência coloca que em 2022, o número de pessoas negras com carteira de trabalho assinada caiu de 51% para 45%. O desafio passa por conseguir uma oportunidade, como avalia a CEO da Minuto Consultoria, Ana Minuto. “Esse ambiente cultural em eu não sou treinada, não é falado para mim sobre tecnologia, isso acontece com negros também. A questão do machismo e do racismo, que vão colocando essas pessoas em determinados lugares. Tem lugar que eu posso ter acesso enquanto negra e lugar que não posso. Eu trabalhei com tecnologia por muitos anos e sempre fui a única mulher negra. Isso vai gerando em você um sentimento de que não é para você”, diz. O levantamento aponta que 80% dos entrevistados acreditam em tecnologia para impulsionar o crescimento profissional. Mas o caminho até lá é excludente. “Evitar de usar a palavra vitimizar, mimimi é a dor que não é sua, mas é esse entendimento de que a carreira é sua, e por mais que as coisas sejam difíceis, se você não se movimentar para que a sua carreira aconteça, ela não vai acontecer. Você vai ter que fazer muito mais, mas é possível”, completa Minuto.

*Com informações do repórter Marcelo Mattos

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