Rebeldes denunciam bombardeio em Donetsk e exigem retomada das negociações
Donetsk (Ucrânia), 3 mai (EFE).- Os separatistas pró-Rússia denunciaram neste domingo o bombardeio de seu principal reduto, Donetsk, por parte das forças governamentais e exigiram o reatamento das negociações com Kiev.
“Nesta noite, o Exército da RPD (República Popular de Donetsk) esteve a ponto de retomar as ações militares em grande escala devido às provocações dos militares ucranianos. As coisas foram bem graves”, disse Denis Pushilin, negociador separatista.
Pushilin denunciou que as forças leais a Kiev bombardearam Donetsk e seus arredores com armamento de um calibre maior de 120 milímetros, o que representa uma “grosseira violação” dos acordos de paz de Minsk.
Segundo as autoridades locais, seis milicianos rebeldes ficaram feridos nos bombardeios que alcançaram 20 edifícios e uma escola, além da zona do aeroporto e as localidades adjacentes.
“Foram registradas até cem explosões nos limites da cidade. A cada dia dizemos que a parte ucraniana não retirou o armamento pesado segundo os acordos de Minsk. Não temos com o que responder. Disparar com fuzis contra a artilharia é ridículo”, disse Eduard Basurin, porta-voz militar separatista.
Por este motivo, os rebeldes puseram em máximo alerta suas forças, embora o negociador rebelde pediu a Kiev que “convoque com urgência” uma nova reunião do Grupo de Trabalho em Minsk.
“Agora não devemos esperar novos bombardeios, mas prevení-los. Não podemos esperar mais, se não quisermos uma escalada do conflito no Donbass”, bacia que inclui Donetsk e parte da região vizinha de Lugansk, assinalou.
Pushilin explicou que os separatistas entraram em contato com a missão da OSCE no terreno para que averigue os ataques ucranianos com armamento pesado.
O ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, também se dirigiu ontem à noite à presidência da OSCE para que ameace Kiev a suspender os bombardeios no leste do país, onde rege um cessar-fogo desde 15 de fevereiro.
O comando militar ucraniano também denunciou a ruptura da trégua por parte das milícias rebeldes, que atacaram as posições governamentais perto de Donetsk e do porto de Mariupol com artilharia, morteiros e plataformas de lançamento de mísseis Grad (Granizo).
Embora asseguram ter recuado o armamento pesado da linha de separação de forças, ambos os grupos se acusam mutuamente de empregar artilharia de grosso calibre contra as posições inimigas.
A aplicação dos acordos de paz estagnou em seu aspecto político, já que a Ucrânia aprovou uma lei de autonomia para as zonas controladas pelos separatistas, mas pôs como condição a realização de eleições locais, o que é rejeitado tanto pelos rebeldes como por Moscou. EFE
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