Santos considera “um passo importante” viagem de vítimas do conflito a Cuba
Bogotá, 15 ago (EFE).- O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, considerou “um passo muito importante” a viagem a Havana feita nesta sexta-feira pelo primeiro grupo de vítimas do conflito armado para participar da mesa de negociações de paz do governo e as Farc.
Um grupo de 12 vítimas viajou hoje de Bogotá à capital cubana em companhia de representantes da ONU e da Universidade Nacional para expor amanhã seu drama perante os negociadores que buscam verdade, justiça e reparação.
“O que aconteceu hoje, há algumas horas, o primeiro grupo de vítimas saiu rumo a Havana (…) é um passo importantíssimo neste processo”, manifestou o presidente na apresentação do Índice de Condições para a Reconciliação Nacional (ICRN), uma metodologia implementada pelo Governo para medir a disposição que dos cidadãos para a reconciliação.
Santos assegurou que escutar as vítimas “é uma passo de imensa transcendência que nunca tinha sido dado” e defendeu a composição do primeiro grupo de escolhidos, entre os quais há pessoas que sofreram a violência da guerrilha, de paramilitares e de agentes do Estado, critério que foi questionado por diversos setores.
Alguns políticos e acadêmicos criticaram o fato de que nas negociações com as Farc estejam incluídas vítimas dos paramilitares, cujo grosso se desmobilizou há vários anos e não estão neste processo, mas o presidente considerou que elas devem estar porque “esses foram os atores do conflito”.
A pergunta que muitos se fazem, disse o presidente, é por que viajaram para Havana pessoas que não foram vítimas das Farc. “Porque o conflito é um e se quisermos a paz neste país não podemos começar a segmentar. O conflito é um e a solução para o conflito é uma e por isso é preciso escutar todas as vítimas”.
“Que bom estão lá para dizer como eles veem esse processo, como pretendem que seja reconhecida sua condição de vítimas e seus direitos defendidos”, justificou o líder.
Das 12 pessoas que viajaram hoje a Havana, cinco são vítimas das Farc, quatro do Estado, duas de grupos paramilitares e uma de vários atores armados.
Outras quatro delegações também de 12 pessoas viajarão nas próximas semanas para expor seu caso aos negociadores do governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
“Se quisermos a paz, temos que escutar todas as vítimas”, acrescentou o chefe de Estado, que reconheceu que o processo de negociação que já dura 21 meses “foi muito complexo, cheio de contradições, cheio de dificuldades, cheio de inimigos, mas estamos indo na direção correta”.
Santos lembrou que em 21 de agosto será instalada em Havana uma comissão formada por 12 analistas que elaborará um relatório sobre as origens e causas da guerra no país, documento no qual se basearão os negociadores para abordar o último ponto da agenda, o do fim do conflito.
O líder também mencionou que na próxima semana uma subcomissão começará seus trabalhos para falar de uma cessação de fogo bilateral, cessação de hostilidades e deixa de armas, na qual participarão altos oficiais das Forças Armadas.
“Nessa subcomissão vão participar muitos altos oficiais em serviço ativo, especialistas já nesse tipo de temas”, disse o Chefe de Estado, que acrescentou que com isto “já estamos falando da última fase deste processo, da última fase da agenda”. EFE
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