Secretário da Comissão Eleitoral afegã renuncia após acusação de fraude

  • Por Agencia EFE
  • 23/06/2014 14h35
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Cabul, 23 jun (EFE).- O secretário da Comissão Eleitoral Independente (IEC, por sua sigla em inglês) do Afeganistão, Zalilul Haq Amarkhail, apresentou nesta segunda-feia sua renúncia após as acusações de fraude de um dos aspirantes à presidência, Abdullah Abdullah.

Amarkhail anunciou sua decisão durante uma entrevista coletiva em Cabul depois que, durante três dias consecutivos, seguidores de Abdullah protagonizaram protestos em várias cidades do país asiático, porque consideram um processo eleitoral fraudulento.

A renúncia aconteceu, além disso, um dia depois que o aspirante revelou conversas telefônicas entre o secretário e supostos membros da equipe do outro candidato, Ashraf Gani, nas quais se falava de fraude durante o segundo turno do pleito realizado no último dia 14.

Na primeira rodada das eleições presidenciais afegãs, em 5 de abril, Abdullah obteve 45% dos votos contra 31% dos votos de Gani.

O responsável da IEC, no entanto, disse que sua saída do cargo não se deve à revelação destas conversas, que qualificou de falsas, nem a pressões por parte da Comissão, “mas pelo bem do processo e dos interesses nacionais”.

Abdullah, em entrevista coletiva na capital afegã, reiterou que a gravação é “autêntica” e assegurou que possui “outros documentos e evidências”, embora acrescentou que o mostrado até agora “é suficiente”.

O candidato presidencial afirmou, além disso, que seu pedido de paralisação da apuração de votos não foi uma estratégia para influenciar no processo, mas para garantir “a integridade das eleições”.

“Não queremos interromper o processo eleitoral, mas não achamos que tenham sido depositados cerca de 8 milhões de cédulas, como declarou a Comissão Eleitoral”, sentenciou o aspirante à presidência.

Abdullah apontou para Amarkhail, cuja renúncia tinha exigido, como principal responsável das irregularidades nos votos emitidos e suavizou suas acusações contra o presidente em fim de mandato do Afeganistão, Hamid Karzai, de quem manifestou que “nunca interferiu nas eleições”.

O candidato tinha acusado na semana passada Karzai de manipular de antemão os resultados do pleito a favor de Gani.

Em 2009 e após denunciar fraude maciça, Abdullah retirou sua candidatura para o segundo turno das anteriores eleições presidenciais, que foi vencida por Karzai.

Antes inclusive do primeiro turno, a maioria de analistas e observadores do pleito recalcou a imperiosa necessidade de um processo transparente e alertou sobre o risco de que qualquer denúncia pudesse degenerar em enfrentamentos violentos.

Na quinta-feira passada, após lançar suas acusações, Abdullah pediu a intervenção das Nações Unidas na observação da apuração eleitoral, uma proposta aceita por Karzai, que deixará o cargo após quase 13 anos de mandato.

A ONU assegurou hoje em comunicado que a renúncia de Amarkhail “é um passo que ajuda a proteger a histórica transição política no Afeganistão” e reconheceu que o “profissionalismo” do secretário da IEC foi chave para que culmine o processo eleitoral.

“A ONU reconhece com satisfação que a decisão tomada pelo secretário da IEC antepôs o interesse nacional ao pessoal e optou por eliminar qualquer motivo que pudesse provocar receio no processo eleitoral”, ressaltou. EFE

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