Senadores espanhóis se encontram com vítimas de protestos na Venezuela
Caracas, 23 jul (EFE).- Senadores espanhóis se reuniram nesta quinta-feira com vítimas dos protestos do ano passado contra o governo e familiares de opositores presos desde então, acusados de promover violência e atentar contra o governo do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.
“Ouvimos depoimentos desoladores, denúncias muito graves e, principalmente, um clamor das vítimas para que ponhamos essa situação na agenda internacional em defesa dos direitos humanos”, disse o senador Ander Gil, do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), após o encontro com os opositores.
Acompanhado de Iñaki Anasagasti, do Partido Nacionalista Basco (PNV), de Josep Maldonado do Convergència i Unió (CiU), e de Dionisio García, do Partido Popular (PP), Gil qualificou a reunião, realizada em um hotel de Caracas, como a mais importante da visita.
“O objetivo foi comprovar pessoalmente a situação que os presos políticos estão vivendo”, afirmou Gil.
Após a reunião, o grupo parlamentar anunciou a intenção de também se reunir com as vítimas do grupo “Comitê de Vítimas da Guarimba e do Golpe Contínuo”. Guarimba é o nome dado na Venezuela aos protestos realizados por meio de barricadas nas ruas.
“Para nós não há vítimas mais ou menos importantes. Queremos escutar todas e não queremos ir embora deste país sem conhecer sua opinião e sem nos reunirmos com eles”, afirmou Gil.
Anasagasti, por sua vez, falou da vontade do grupo de se reunir com o defensor público, Tarek William Saab, para conversar sobre os pedidos das vítimas e para que ele possa argumentar sobre as críticas que fez contra os políticos espanhóis.
Ontem, o defensor público venezuelano qualificou de “intervencionista” a visita dos senadores espanhóis e negou que seu escritório tenha tramitado alguma solicitação para um encontro com eles.
“Nós queremos falar com ele sobre o que escutamos na reunião desta manhã, falar do sentimento que temos e que dizer que esse tipo de coisa que ele falou deve ser dita na cara. Em um sistema democrático não se deve ter medo da palavra, é preciso ter medo da violência. Gostaria muito de ter uma reunião com respeito, diálogo e, sobretudo, com argumentos”, comentou Anasagasti.
Os senadores espanhóis estão na capital venezuelana a convite da oposição e com a intenção de visitar políticos presos.
Além dos senadores, outros dirigentes e ex-presidentes visitaram a Venezuela em apoio à oposição como o ex-presidente do governo espanhol Felipe González, e os ex-mandatários Jorge Quiroga, da Bolívia; Sebastián Piñera, do Chile; e Andrés Pastrana, da Colômbia. EFE
igr/cdr/rsd
Comentários
Conteúdo para assinantes. Assine JP Premium.