Sucesso de vacinação contra Covid-19 depende de rapidez e adesão, diz estudo
Um estudo de pesquisadores das universidades de Yale e de Harvard, dos Estados Unidos, publicado no periódico científico Health Affairs, afirma que não basta a elaboração de uma vacina eficaz e segura contra Covid-19 para garantir o sucesso da campanha de imunização. Segundo o levantamento, outros fatores — além da qualidade da medicação — serão decisivos para que governos consigam combater a doença. Entre esses pontos, aparece a rapidez na distribuição das doses.
No caso de algumas vacinas, a logística é um desafio importante, já que terão que ser armazenadas a temperaturas muito baixas ou precisam ser aplicadas em duas etapas — com semanas de intervalo. Diante de todas as dificuldades do processo, o ex-presidente da Anvisa e professor da Faculdade de Saúde Pública da USP, Gonzalo Vecina Neto, afirma que, para garantir a imunização no Brasil, serão necessárias vacinas de vários fabricantes. “Nós não vamos poder sobreviver sem a vacina do Butantan e da AstraZeneca. E não compramos outras vacinas. Tem encomendas com a Pfizer e com a Janssen. Mas as desses laboratórios é um volume muito pequeno. Mas as de Oxford/Fiocruz e Butantan/Sinovac, cada uma delas vai ter condição de entregar em um ano cerca de 140 milhões de doses. Isso dá 280 milhões de doses para vacinar 140 milhões de pessoas.”
[jp-related-posts ids=”1029761,1029759,1029743″]
Outro fator citado pelos pesquisadores de Yale e Harvard é a adesão da população. Eles afirmam que convencer um número significativo de pessoas a tomar a vacina será fundamental para que as campanhas tenham bom resultado. Mesmo assim, Gonzalo Vecina Neto é contrário à imunização obrigatória. “Eu acho que vacina só pode ser obrigatória para quem não pode tomar decisão, como é o caso da criança. E o ECA dá conta disso. O resto não precisa de obrigação. Mas muitas empresas devem exigir o atestado de vacina porque elas não querem um trabalhador que vai ficar doente e pedir afastamento.”
O estudo menciona, ainda, como condição importante para as campanhas, a manutenção das medidas preventivas. Ou seja, será necessária a disposição do público de continuar usando máscaras e seguindo as políticas de distanciamento social. A pesquisa mostrou que mesmo uma vacina altamente eficaz terá dificuldades para controlar o coronavírus se as taxas de infecção continuarem aumentando. Por isso, mensagens de líderes políticos e pessoas públicas poderiam ajudar a população a superar o receio em relação à imunização.
*Com informações da repórter Caterina Achutti