Togo realiza eleições presidenciais em ambiente de agitação social

  • Por Agencia EFE
  • 24/04/2015 17h52

Noël Tadegnon.

Lomé, 24 abr (EFE).- Em um cenário de agitação social, serão realizadas neste sábado eleições presidenciais em Togo, onde a oposição sai às ruas para pedir reformas na Constituição e no governo da família Gnassingbé, que está há 48 anos no poder.

Neste pleito, inicialmente marcado para 15 de abril, mas adiado, concorrem à presidência o atual governante, Faure Gnassingbé, e o veterano líder da oposição, Jean-Pierre Fabre.

Para evitar protestos maiores que os registrados nas ruas de Lomé ao longo deste mês, ou dos que custaram a vida de dois estudantes em 2013 (no último pleito), o governo fechou as escolas até as eleições terminarem.

“É para preservar a segurança de estudantes e professores durante as eleições presidenciais”, esclareceu o ministro de Segurança, Yark Damehane.

Vários grupos da sociedade civil togolesa criticaram a decisão e pediram que seja detido um processo eleitoral que muitos consideram “inútil”, enquanto grupos defensores dos direitos humanos solicitaram um boicote ao pleito.

Algumas vozes no país alertam para uma possível onda de violência pós-eleitoral, como ocorreu após as eleições de 2005, quando mais de mil pessoas morreram em vários dias de distúrbios, segundo um relatório elaborado pela Liga Togolesa de Direitos Humanos (LTDH).

O poder da família Gnassingbé começou em 1967, quando o então coronel Eyadéma Gnassingbé, pai do atual presidente, tomou o poder em um golpe de Estado. Após sua repentina morte, em 2005, seu filho, Faure, o substituiu no cargo.

Diante de protestos e sanções da comunidade internacional, Gnassingbé convocou eleições no mesmo ano e venceu, resultado que gerou uma onda de violência e massacres.

Após ganhar consecutivamente em 2005 e 2010, acusado de fraude pela oposição, Gnassingbé se candidata a um terceiro mandato, já que a Constituição togolesa não estabelece limites para a reeleição.

Togo atravessa um período de crescente instabilidade social, e desde o fim de 2014 os protestos enchem periodicamente as ruas de Lomé e as principais cidades do país.

“Não à monarquia!” e “Reformas imediatamente!” são algumas das frases mais usadas pelos coletivos sociais e da oposição nas manifestações, pedindo limitação a dois mandatos presidenciais e voto presidencial em dois turnos.

Os trabalhadores do sindicato principal, União dos Trabalhadores do Togo (STT, em francês), convocaram consecutivas greves meses antes do início da campanha eleitoral para exigir melhoras nas condições de vida e trabalho. Além disso, acusam o governo de “descumprir promessas”.

O mal-estar social e as manifestações na capital cresceram tanto que representantes do STT declararam uma “trégua” na greve de trabalhadores durante a campanha eleitoral.

Apesar dessa situação, a economia de Togo se recupera da crise e começa a divulgar dados positivos: uma taxa de crescimento constante em torno de 5% (2010-2014) e a redução da pobreza entre a população, que foi de 62% em 2006, para menos de 57% em 2014, segundo dados oficiais.

Apesar de tudo, Togo está entre os países menos desenvolvidos segundo o Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PMA), que também aponta que 38,2% da população vivia, em 2012, abaixo do nível de pobreza com menos de US$ 1,25 por dia.

Mais de 3,5 milhões de togoleses foram convocados para ir às urnas e escolher quem governará o país pelos próximos cinco anos. EFE