Trabalhadores da América Latina reivindicam direitos e salários no 1º de maio
Bogotá, 30 abr (EFE).- O dia 1º de maio será celebrado amanhã, quinta-feira, na América Latina com manifestações em que os trabalhadores pedirão desde reajustes salariais ao respeito de seus direitos, atos que terão a participação de alguns governantes, especialmente os mais à esquerda.
A principal reivindicação sindical nas diferentes manifestações previstas no Brasil será a redução da jornada de trabalho de 40 horas semanais. A celebração acontece em meio às ameaças de alguns sindicatos, entre eles o de agentes da Polícia Federal, de paralisar as atividades durante a Copa do Mundo.
Após a greve geral na Argentina de 10 de abril convocada pelas alas opositoras das duas centrais operárias do país, nesta quinta-feira a Associação Trabalhadores do Estado (ATE) pedirá na sede do Parlamento, entre outras coisas, 35% de aumento salarial.
Evo Morales marchará na quinta-feira em La Paz junto de dirigentes da Central Operária Boliviana (COB) e sindicatos que apoiam seu governo, após dizer ontem que “a melhor forma de festejar agora já não é nacionalizando, mas industrializando”.
A expectativa é que não haja protestos este ano na Bolívia, pois o Executivo e a COB chegaram a um acordo para elevar em 30% o salário mínimo para US$ 206,8, que será ratificado em decreto amanhã.
Já na Colômbia o humor é de agitação social pela greve de setores agrários que desde segunda-feira reivindicam o cumprimento do pacto que pôs fim aos protestos do ano passado.
Além disso, sindicatos e partidos de esquerda convocaram manifestações para protestar contra os tratados de livre-comércio assinados pela Colômbia.
No Uruguai, o sindicato único do país, o PIT-CNT, realizará um ato perto do Parlamento, que deve ter a participação e do presidente José Mujica. Apesar de sua proximidade com o governo, o PIT-CNT reivindicará melhoras salariais, a reforma do sistema de saúde e um maior orçamento para o ensino.
Em Cuba acontecerá a tradicional mobilização na Praça da Revolução de Havana que deve ter a participação de meio milhão de pessoas em um desfile “combativo, em massa, disciplinado e compacto”, segundo a Central de Trabalhadores de Cuba (CTC).
O presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, liderará uma celebração com representantes de organizações sindicais como a Confederação de Trabalhadores do México.
No Paraguai, uma manifestação denunciará o descumprimento das leis trabalhistas, a alta taxa de desemprego, a inflação e para pedir a revogação da lei que permite as Alianças Público-Privadas. Alguns sindicatos estão em negociação com o governo, após realizar em 26 de março a primeira greve geral contra o presidente Horacio Cartes.
Na Costa Rica sindicatos marcharão até a Assembleia Legislativa para entregar um documento aos novos deputados que começam o mandato nesse dia para o período 2014-2018, em que pedem que seja derrubado o veto a uma reforma trabalhista da presidente Laura Chinchilla, que se opôs a isto por considerar que legaliza as greves em setores-chave como a saúde, a água e a polícia.
Com pedidos salariais e para resolver o déficit no sistema de previdência, em El Salvador foram anunciadas duas marchas, e em Honduras, as manifestações protestarão contra o alto custo de vida.
No Chile a principal atividade será uma manifestação convocada pela Central Única de Trabalhadores (CUT), cuja presidente, Bárbara Figueroa, a considerou o início da construção “de um novo tempo” para o mundo do trabalho.
Já a Confederação Geral de Trabalhadores do Peru (CGTP) se reunirá no centro histórico de Lima para reiterar suas críticas ao modelo econômico “neoliberal” do governo de Ollanta Humala e exigir “medidas efetivas” contra a criminalidade.
Na Venezuela, para mostrar seu apoio ao “presidente operário”, como os governistas se referem a Nicolás Maduro, a Central Bolivariana de Trabalhadores (CBT) informou que dois milhões de trabalhadores desfilarão por Caracas.
Por ocasião do dia 1º de maio, Maduro anunciou ontem um reajuste de 30% do salário mínimo, algo que poderia ajudar atenuar a difícil situação econômica do país, onde a inflação anual ronda os 60%.
No Equador, as centrais e o governo sairão às ruas de Quito, cada uma de um lado, no dia que marcará o início do debate sobre um novo código normativo para o setor. EFE
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