1 ano de tarifaço: valeu a pena para os EUA?

Após o anúncio, as bolsas derreteram pelo mundo e houve quedas expressivas nas ações norte-americanas

  • Por Alan Ghani
  • 07/04/2026 08h00
  • BlueSky
Chip Somodevilla/Getty Images/AFP donadl trump tarifaço Presidente Donald Trump segura um gráfico enquanto fala sobre o tarifaço

No dia 02 de abril de 2025, o mundo assistia a uma cena pitoresca. Trump anunciava tarifas protecionistas contra vários países numa cartolina. Após o anúncio, as bolsas derreteram pelo mundo e houve quedas expressivas nas ações norte-americanas. Com a bolsa caindo fortemente, teve gente que alegou que Trump gostaria de quebrar o mercado de ações para forçar uma queda de juros e recomprar a dívida norte-americana.

O argumento não tem pé nem cabeça. Primeiro, não é possível controlar os efeitos desencadeados pela quebra do mercado financeiro, que poderia levar a uma grave crise econômica que se voltaria contra o próprio Donald Trump e a população norte-americana. Segundo, tecnicamente uma queda dos juros, aumenta o valor da dívida (marcação a mercado) e estimula mais ainda o endividamento estatal.

Delírios à parte, surgiram outras justificativas mais plausíveis. Uma delas era de que Trump arrecadaria mais com as tarifas, reindustrializaria os EUA e enfraqueceria a China.

Um ano após a medida, a verdade é que o EUA não se reindustrializou e o total arrecadado foi pequeno perto do monumental déficit fiscal americano.

Para piorar, as tarifas trouxeram aumentos de preços para o consumidor norte-americano. Não à toa, Trump recuou em relação às elevadas tarifas aplicadas contra a carne e o café importado do Brasil. Por que será?

Se tudo isso fosse necessário para enfraquecer a China, ainda haveria uma justificativa para defender as tarifas pela base de Trump. No entanto, o superávit da balança comercial chinesa aumentou após o tarifaço.

Além disso, na escalada da briga tarifária com o gigante asiático, os EUA pediram arrego no momento em que a China ameaçou cortar as exportações de terras raras para os americanos. O recuo norte-americano mostrou fraqueza e expôs a vulnerabilidade perante Pequim.

É difícil encontrar algum argumento positivo para defender as tarifas de Trump. Ao contrário do que se pensa, Trump não foi um gênio com um plano mirabolante tarifário, mas apenas uma pessoa que envelheceu com ideais ultrapassadas (ele defendia o protecionismo na década de 80).

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.

  • BlueSky

Comentários

Conteúdo para assinantes. Assine JP Premium.