Cessar-fogo – de volta à estaca zero

O custo para terminar a guerra se elevou

  • Por Alan Ghani
  • 08/04/2026 19h28
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MANDEL NGAN / AFP Manifestantes agitam bandeiras iranianas durante um protesto contra a ação militar dos EUA no Irã, perto da Casa Branca, em Washington Manifestantes agitam bandeiras iranianas durante um protesto contra a ação militar dos EUA no Irã, perto da Casa Branca, em Washington

Após Donald Trump anunciar publicamente a possibilidade de um genocídio no Irã – fato inadmissível mesmo que fosse uma fala retórica ou estratégia de negociação –, o mundo respirou aliviado, por um momento, com o cessar-fogo entre EUA e Irã.

Infelizmente, a trégua nesta guerra é instável. Prova disso é que hoje (8) já ocorreram ataques de Israel ao Líbano, com revide do país persa, o qual voltou a fechar o Estreito de Ormuz em menos de 24 horas.

Tal situação remete ao início do conflito, com um agravante: o preço da negociação para o fim permanente da guerra aumentou por parte do Irã. Na quinta-feira pré-guerra, o Irã propôs um acordo bem favorável ao Ocidente, com a possibilidade de ampliação das inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AEIA) nas instalações nucleares do país persa.

Muitos analistas inclusive consideraram o aceno iraniano como a possibilidade de fiscalização americana direta no programa nuclear de Teerã. Agora, com a trégua na guerra, o Irã quer a continuidade do seu programa nuclear, fim das inspeções da AEIA e da ONU, além de alívio das sanções econômicas.

Pelas exigências iranianas, fica claro que o custo para terminar a guerra se elevou. Resta saber como Donald Trump vai sair dessa. Ele tem 2 semanas para encontrar uma solução. De qualquer modo, por melhor que seja a saída, ainda não vai compensar o custo de ter começado esta guerra.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.

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