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Alan Ghani

Uma guerra sem fim

Irã não abre mão do seu programa nuclear, enquanto os EUA querem o fim da produção de energia atômica por parte do país persa

Alan Ghani

Uma coluna de fumaça e um fragmento de concreto se elevam do local de um ataque aéreo israelense nos arredores orientais de Tiro, no sul do Líbano, em 24 de março de 2026. O Líbano foi arrastado para a guerra no Oriente Médio quando o Hezbollah, apoiado pelo Irã, começou a disparar foguetes contra Israel em 2 de março para vingar o assassinato do líder supremo do Irã. Desde então, Israel lançou ataques em todo o Líbano, matando pelo menos 1.039 pessoas e deslocando mais de um milhão, além de enviar tropas terrestres para o sul do país.
Uma coluna de fumaça e um fragmento de concreto se elevam do local de um ataque aéreo israelense nos arredores orientais de Tiro, no sul do Líbano, em 24 de março de 2026. O Líbano foi arrastado para a guerra no Oriente Médio quando o Hezbollah, apoiado pelo Irã, começou a disparar foguetes contra Israel em 2 de março para vingar o assassinato do líder supremo do Irã. Desde então, Israel lançou ataques em todo o Líbano, matando pelo menos 1.039 pessoas e deslocando mais de um milhão, além de enviar tropas terrestres para o sul do país. DIMITAR DILKOFF / AFP

Conforme o esperado, Trump recusou a proposta iraniana para o fim da guerra. O ponto central do impasse é simples: o Irã não abre mão do seu programa nuclear, enquanto os EUA querem o fim da produção de energia atômica por parte do país persa.

Como não há luz no fim do túnel, Trump vai se reunir com Xi Jinping para que, quem sabe, ele convença Teerã a mudar de ideia. A tentativa é válida, mas há dois problemas. O primeiro é que China e Irã mantêm boas relações econômicas e diplomáticas. O segundo é que, mesmo que a China convença o Irã a reabrir o Estreito de Ormuz, a livre passagem de navios no Golfo Pérsico só se dará com algum tipo de concessão americana. Em outras palavras, Trump também terá que ceder para o sucesso do cessar-fogo. Caso contrário, o Estreito seguirá fechado e o petróleo, cotado acima de US$ 100 o barril, causará danos à economia mundial.

O ponto é que, agora, o preço para terminar esta guerra se tornou muito mais caro. Se os EUA conseguirem voltar exatamente ao ponto da negociação de dois dias antes do conflito, já será um baita negócio.

Naquela ocasião, o Irã havia aceitado a intensificação da inspeção do seu programa nuclear. Agora, até podem aceitar isso novamente para reabrir o Estreito, mas provavelmente com algum tipo de alívio em sanções econômicas ou algum pedágio permanente na passagem marítima de navios estrangeiros.

Todas essas consequências eram absolutamente previsíveis, menos para Benjamin Netanyahu. O primeiro-ministro de Israel disse que não previa toda essa crise. Na verdade, o erro foi de outra natureza: foi justamente acreditar que, ao matar as lideranças do Irã, o regime iria colapsar.

Por enquanto, EUA e Israel ganham no front militar, mas perdem a guerra.